Um relatório divulgado recentemente pela Fairphone, empresa holandesa especializada na fabricação de “telefones reparáveis”, mostra que esse tipo de produto pode estar lentamente ganhando seu espaço no mercado.
De acordo com o documento, houve um aumento de 42% nas vendas de Fairphones em 2025, com a empresa fazendo a entrega de 145 mil unidades a clientes, sobretudo na Europa.
A proposta desses aparelhos, que lembram bastante os celulares antigos que permitiam a troca da bateria, é reduzir o impacto ambiental com a disseminação de aparelhos modulares cuja manutenção simples possibilita a troca de peças e a consequente extensão de sua vida útil.

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Enquanto grandes fabricantes apostam em ciclos cada vez mais curtos de lançamento, com atualizações anuais e foco em incentivar a troca constante de aparelhos, a Fairphone segue um caminho diferente.
A proposta da empresa não está centrada em desempenho máximo ou design premium, mas sim na durabilidade e na possibilidade de reparo ao longo dos anos.
Na prática, isso significa que, em vez de trocar o smartphone inteiro ao apresentar algum defeito ou perda de desempenho, o usuário pode substituir apenas componentes específicos, como bateria, câmera ou tela.
Esse modelo contrasta diretamente com o padrão adotado por marcas tradicionais, que muitas vezes dificultam o reparo ou tornam o processo caro o suficiente para não compensar.
Apesar de atuar em um nicho, os números recentes mostram que a estratégia começa a dar resultado. Além do crescimento de 42% nas vendas em 2025, a empresa também registrou aumento de receita e redução de prejuízos, indicando que o modelo não é apenas sustentável do ponto de vista ambiental, mas também financeiro.
Outro dado relevante é que boa parte dos consumidores que compraram os aparelhos mais recentes da marca não eram clientes antigos. Ou seja, a Fairphone começa a atrair um público mais amplo, para além dos usuários já engajados com a causa ambiental.

Essa proposta teria futuro no Brasil?
No Brasil, assim como no resto do mundo, o mercado de smartphones é tocado sob a ótica do consumismo. O lançamento frequente de novas gerações de aparelhos torna smartphones com pouco tempo de vida “ultrapassados”.
Por esse motivo, é difícil imaginar que uma proposta como a da Fairphone ganhe escala, pelo menos no curto prazo. Afinal, a mentalidade dos consumidores também está relacionada ao anseio por ter o smartphone mais recente em mãos, em vez do mesmo celular de anos atrás que foi apenas recondicionado.
De qualquer forma, o apelo à sustentabilidade embutido na proposta da fabricante holandesa tende a ganhar adesão, mesmo que pequena num primeiro momento.
* Com informações do Android Authority












