Reprodução/Gemini

Grande operadora rejeita MVNO com a Starlink

Cristino Melo
7 min de leitura

Durante o Morgan Stanley Technology, Media and Telecom Conference, realizado em março de 2026 nos Estados Unidos, o CEO da T-Mobile, Srini Gopalan, descartou publicamente a possibilidade de a operadora firmar uma parceria de MVNO (Operadora Virtual de Rede Móvel) com a Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX. A declaração foi feita em resposta direta a uma pergunta de analistas sobre os planos da T-Mobile em relação a um eventual acordo comercial nesse modelo.

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POR QUE O MVNO FOI DESCARTADO

Gopalan explicou com clareza a filosofia da T-Mobile ao avaliar parcerias de MVNO. Segundo ele, a operadora só entra nesse tipo de acordo quando enxerga um mercado total endereçável (TAM) incremental a ser explorado. Os critérios citados pelo executivo foram:

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  • Público específico com potencial inexplorado, como grupos étnicos ou comunidades segmentadas
  • Canal de distribuição estratégico — foi esse o motivo do MVNO firmado com operadoras de TV a cabo

“Não está claro para mim como uma parceria com a Starlink, do ponto de vista de MVNO, se encaixaria nesses critérios”, disse Gopalan diretamente. A declaração reforça a postura estratégica da T-Mobile de manter controle sobre sua base de clientes e não criar um canal que pudesse fortalecer um potencial concorrente no longo prazo.

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PARCERIA D2D: O QUE JÁ EXISTE

Apesar de rejeitar o modelo MVNO, o executivo foi enfático ao elogiar a parceria técnica já existente entre T-Mobile e Starlink no segmento de comunicação direta ao dispositivo (D2D, ou Direct-to-Device). Gopalan afirmou que a tecnologia o impressiona profundamente:

“Quem imaginaria, quatro ou cinco anos atrás, que teríamos torres voadoras capazes de se comunicar com dispositivos móveis em movimento?”

O CEO creditou à T-Mobile e à Starlink a criação de uma nova categoria tecnológica, ao combinar os engenheiros de satélite da SpaceX com os engenheiros de redes sem fio da T-Mobile. O objetivo central da parceria, segundo ele, segue sendo eliminar as chamadas “zonas mortas” — áreas rurais e remotas sem cobertura terrestre convencional.

A visão de Gopalan sobre o papel dos satélites na telefonia móvel é clara: trata-se de uma tecnologia complementar, não substitutiva. Ele destacou que, por questões físicas e econômicas, as constelações de satélites em órbita baixa simplesmente não têm capacidade para atender áreas urbanas densas ou ambientes fechados com a mesma eficiência das redes terrestres.

Questionado sobre como os clientes estão reagindo ao recurso de envio de mensagens de emergência via satélite, Gopalan disse que muitos usuários o encaram como uma espécie de “seguro” para situações de segurança. “O uso não é necessariamente o melhor indicador do valor que eles obtêm”, afirmou o CEO, destacando que a simples disponibilidade do recurso já gera percepção de valor para os assinantes.

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Paralelamente às declarações de Gopalan, analistas do mercado financeiro chamaram atenção para a velocidade com que a Starlink tem avançado no setor de telecomunicações móveis. O analista Peter Supino, da Wolfe Research, destacou que, em apenas seis meses desde que a Starlink concordou em pagar cerca de US$ 17 bilhões à EchoStar por licenças de espectro, a empresa já está usando essa faixa para reforçar sua rede D2C — permitindo que clientes em áreas sem cobertura terrestre realizem até videochamadas.

No Mobile World Congress (MWC) 2026, realizado em Barcelona, a SpaceX apresentou oficialmente o rebrand de seu serviço Direct-to-Cell para Starlink Mobile. A presidente e COO da SpaceX, Gwen Shotwell, e o SVP da Starlink, Mike Nichols, anunciaram que o objetivo do serviço é conectar smartphones comuns — sem nenhuma modificação — em qualquer lugar do mundo, como detalhado em cobertura sobre o lançamento da Starlink Mobile no MWC.

Os números divulgados pela SpaceX mostram o ritmo acelerado da expansão:

IndicadorDado atual
Usuários únicos conectados+16 milhões
Usuários ativos mensais10 milhões
Meta de usuários até fim de 202625 milhões
Operadoras parceiras35 em 5 continentes

A tecnologia que viabiliza esse avanço é a nova geração de satélites, e quem quiser entender melhor pode conferir o que a Starlink V2 promete em termos de 5G via satélite direto no celular.

IMPACTOS PARA O SETOR DE TELECOM

O avanço da Starlink Mobile levanta questões estratégicas para toda a indústria de telecomunicações. Supino alertou que, se alguma das três grandes operadoras americanas viesse a oferecer um MVNO à Starlink, isso poderia abalar a confiança dos investidores no setor.

“Acreditamos que as três grandes operadoras móveis dos EUA não oferecerão esse tipo de MVNO à Starlink por razões estratégicas óbvias. Se uma delas o fizer, ficaríamos preocupados com os múltiplos do setor de telecom!”, escreveu o analista.

Outros pontos de atenção levantados por analistas incluem:

  • Torres de telecom em risco: empresas do setor podem perder contratos de arrendamento em áreas rurais à medida que satélites LEO assumam parte da cobertura
  • Concorrência indireta: ajudar a Starlink a entrar no mercado móvel via MVNO criaria um concorrente direto, algo que nenhuma grande operadora deseja estrategicamente
  • Complementaridade limitada: satélites seguem incapazes de atender áreas urbanas densas ou ambientes internos com a mesma eficiência das redes terrestres
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