Imagem: UIT/Reprodução

Brasil integra cúpula internacional que debate proteção de cabos submarinos

Goodanderson Gomes
3 min de leitura
Imagem: UIT/Reprodução

O Brasil participou, nos dias 2 e 3 de fevereiro, da Cúpula Internacional sobre Resiliência de Cabos Submarinos, realizada no Porto, em Portugal. 

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A presença brasileira ocorreu por meio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que acompanhou a elaboração de um documento com recomendações voltadas à proteção e ao fortalecimento dessa infraestrutura essencial para a conectividade global.

A delegação foi representada por Gustavo Santana Borges, superintendente executivo da Anatel e integrante do órgão consultivo internacional responsável por discutir medidas técnicas e regulatórias sobre o tema. 

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O encontro reuniu reguladores, autoridades governamentais e especialistas para tratar de riscos, manutenção e continuidade operacional dos cabos submarinos.

Hoje, mais de 99% do tráfego internacional de dados circula por essas estruturas instaladas no fundo do mar. Estima-se que existam cerca de 500 sistemas em operação no mundo, que somam mais de 1,7 milhão de quilômetros de extensão. 

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Apesar da dimensão da rede, as falhas ainda ocorrem com frequência: são mais de 200 registros por ano, geralmente associados a atividades marítimas, ancoragens, pesca ou eventos naturais.

Documento reúne diretrizes para ampliar a resiliência

A chamada Declaração do Porto consolidou entendimentos e prioridades discutidos durante a cúpula. O texto não tem caráter obrigatório, mas busca orientar governos e reguladores na adoção de medidas que reduzam vulnerabilidades e acelerem respostas a incidentes envolvendo cabos submarinos.

Entre os pontos destacados estão a necessidade de simplificar processos de licenciamento para instalação e reparo, aprimorar marcos regulatórios e reduzir entraves administrativos que possam atrasar intervenções técnicas. A agilidade, segundo os participantes, é decisiva quando há rompimentos que afetam a conectividade internacional.

Também foi enfatizada a importância de ampliar a diversidade geográfica de rotas e pontos de conexão, especialmente em regiões com menor número de alternativas de tráfego. A redundância é vista como elemento central para evitar interrupções prolongadas.

Outro eixo das discussões envolve a adoção de melhores práticas para avaliação de riscos, coordenação entre autoridades marítimas e investimento em capacitação técnica. O uso de tecnologias para monitoramento e planejamento de rotas mais seguras aparece como parte desse esforço.

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Participação brasileira no debate internacional

Durante o evento, Gustavo Santana Borges afirmou que as recomendações aprovadas refletem consenso técnico e podem servir como referência para enfrentar desafios já identificados no setor. A cúpula contou com apoio da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e de entidades especializadas na proteção de cabos submarinos.

A participação do Brasil ocorre em um momento em que a segurança das infraestruturas digitais ganha destaque na agenda internacional. 

A dependência crescente de serviços online, operações financeiras e comunicações corporativas torna os cabos submarinos ativos estratégicos para a economia.

O avanço das medidas discutidas dependerá, agora, da articulação entre governos, reguladores e operadores para transformar diretrizes em ações concretas nos diferentes países.

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