A Claro concluiu nesta quinta-feira (1º) a compra do controle da Desktop, provedora de banda larga fixa, e já se prepara para fechar o capital da empresa. Por meio da controlada Claro NXT Telecomunicações, a operadora adquiriu 84.684.273 ações ordinárias, o equivalente a 72,83% do capital social total e votante, em uma transação de R$ 1,747 bilhão que lhe garante de forma definitiva o controle acionário da companhia.
O negócio, anunciado em março, foi fechado após o cumprimento das condições contratuais e comunicado ao mercado em fatos relevantes das duas companhias. Com a aquisição, a Claro quer ampliar sua presença na banda larga fixa ao integrar a base de clientes, a infraestrutura de rede e a atuação regional da Desktop, empresa listada no Novo Mercado da B3.
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QUEM VENDEU E QUANTO A CLARO PAGOU
A participação foi comprada do fundo Makalu e dos acionistas Denio Alves Lindo, Mucio Camargo de Assis Filho, Marcos Camargo de Assis e José Carlos Franco Júnior. O valor pago equivale a R$ 20,63 por ação da Desktop, mas ainda pode mudar com a apuração definitiva da dívida líquida da provedora em 30 de setembro de 2026, conforme os ajustes previstos no contrato. O pagamento foi dividido assim:
- R$ 1,620 bilhão na parcela de fechamento, incluindo R$ 20 milhões retidos como garantia para eventual ajuste de endividamento;
- R$ 127,5 milhões em conta de garantia para cobrir obrigações de indenização dos vendedores ligadas a determinadas demandas, com liberações mensais conforme o cronograma contratual.

NOVO COMANDO NA DESKTOP
A troca de controle veio acompanhada de mudanças na administração. Rodrigo Marques foi eleito diretor-presidente da Desktop, enquanto Roberto Catalão Cardoso assumiu as diretorias financeira e de relações com investidores. Denio Alves Lindo, um dos vendedores, deixou a diretoria, assim como Bruno Silva Carvalho de Souza Leão, Benício Silva Gontijo, André Falcão Ribeiro e Glauno Herton Brandão Junior. Todos seguem na empresa em novos cargos.
No conselho de administração, José Felix, Rodrigo Marques e Roberto Catalão ocupam as vagas deixadas por Débora Mayor Vizeu, Bernardo Varela Mello e Ana Regina Roson. A Desktop ainda convocará uma assembleia extraordinária para deliberar sobre outras alterações no colegiado e eleger ou ratificar os novos integrantes. Os diretores eleitos terão mandato até a assembleia que examinar as demonstrações financeiras de 2026.
OPA E SAÍDA DO NOVO MERCADO
Com o negócio concluído, a Claro NXT vai pedir à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o registro de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) voltada aos demais acionistas da Desktop. A ideia é reunir, em uma única oferta, a compra por alienação de controle, a conversão do registro da companhia da categoria A para a B e a saída do Novo Mercado da B3, o que na prática fecha o capital da provedora.
O preço oferecido aos minoritários será o mesmo pago aos vendedores, considerando o ajuste de endividamento e a parcela diferida, e os detalhes constarão no edital. A Claro, porém, poderá desistir da conversão de registro e da saída do Novo Mercado, mantendo apenas a oferta obrigatória pela transferência de controle. Segundo a operadora, ainda não há definição sobre fusão, cisão ou incorporação da Desktop.
CADE E ANATEL JÁ HAVIAM APROVADO
O fechamento ocorre depois do aval dos órgãos reguladores. A Anatel concedeu anuência em maio, com a obrigação de consolidar a ocupação das redes em um único ponto de fixação por poste em até 24 meses após a conclusão do negócio. Já a Superintendência-Geral do Cade aprovou a operação sem restrições em setembro, abrindo caminho para que a Claro finalizasse a compra da provedora.
Na análise concorrencial, a Claro citou a migração de clientes atendidos por cabo coaxial para a rede de fibra óptica da Desktop como uma das justificativas da transação. O plano e o cronograma apresentados pelas empresas integram os fundamentos da aprovação do Cade. A companhia afirmou que manterá o mercado informado sobre os próximos passos da oferta pública e da transição acionária.












