A AT&T fechou acordo para vender sua operação de telefonia móvel no México por US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) a um consórcio formado pelo Grupo Televisa e pela Fintech Holdings. Com o negócio, a companhia norte-americana encerra a trajetória iniciada no país em 2015 e repassa a segunda maior operadora móvel mexicana, que somava 24,7 milhões de assinantes ao fim de 2025.
O pagamento será feito em dinheiro, sujeito a ajustes contratuais, e cada comprador terá 50% da sociedade criada para a aquisição. A conclusão está prevista para o primeiro trimestre de 2027, após o aval dos reguladores mexicanos. Segundo a AT&T, a saída libera capital para acelerar a expansão das redes de fibra óptica e de telefonia móvel nos Estados Unidos, seu mercado prioritário.
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AT&T MIRA FIBRA E 5G NOS ESTADOS UNIDOS
A venda segue o plano apresentado aos investidores em 2024, que coloca a conectividade fixa e móvel nos Estados Unidos no centro da estratégia da companhia. Para John Stankey, presidente e CEO da AT&T, a transação permite direcionar recursos para oportunidades de crescimento no mercado norte-americano. “Acreditamos fortemente que o futuro da IA vai rodar em redes convergentes com ativos densos de fibra”, afirmou o executivo.
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Nos Estados Unidos, a rede de fibra da AT&T alcançava 38,6 milhões de localidades residenciais e empresariais ao fim de junho. A meta é superar 40 milhões até o fim de 2026 e passar de 60 milhões até 2030. No segundo trimestre, a companhia registrou receita consolidada de US$ 31,6 bilhões (aproximadamente R$ 158 bilhões), alta de 2,3% na comparação anual, com ajuda do México, em parte favorecida pelo câmbio.
RAIO-X DA AT&T MÉXICO
A AT&T México registrou receita consolidada de 85,4 bilhões de pesos mexicanos em 2025 e lucro operacional de 1,4 bilhão de pesos. A operadora oferece telefonia móvel, acesso à internet e serviços de valor agregado por meio de concessões das autoridades mexicanas. Apesar do porte, a leitura do mercado é que a unidade não alcançou a escala que a AT&T buscava quando chegou ao país, há pouco mais de uma década.
- Assinantes: 24,7 milhões (fim de 2025)
- Receita em 2025: 85,4 bilhões de pesos mexicanos
- Lucro operacional em 2025: 1,4 bilhão de pesos mexicanos
- Valor da venda: US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões)
- Compradores: Grupo Televisa (50%) e Fintech Holdings (50%)
- Conclusão prevista: primeiro trimestre de 2027
A entrada no México aconteceu em 2015, com a compra da Iusacell e da Nextel México, depois integradas sob a marca AT&T. Desde então, a operadora se firmou como concorrente da Telcel, controlada pela América Móvil. A venda não chegou a surpreender: em agosto de 2025, a Bloomberg já havia noticiado que a empresa trabalhava com assessores para se desfazer da operação.

TELEVISA ENTRA NA TELEFONIA MÓVEL
Para o Grupo Televisa, a compra acrescenta uma operação nacional de telefonia móvel aos negócios de banda larga fixa, TV por assinatura e serviços corporativos que o grupo já mantém no México. A empresa opera redes de cabo que levam internet, telefonia e televisão a clientes residenciais e empresariais, além de oferecer conectividade e soluções gerenciadas para companhias de diversos portes.
O acordo é mais um capítulo na relação entre as duas empresas. Em 2024, a Televisa comprou a fatia que a AT&T detinha na Sky México e passou a controlar 100% do negócio em junho daquele ano. Em dezembro de 2025, a imprensa local já indicava que o grupo estava perto de fechar a compra da AT&T México, disputada também pelo fundo norte-americano Cerberus Capital Management, em processo conduzido pelo Deutsche Bank.
A Fintech Holdings entrou na negociação depois e participa como sócia igualitária. Segundo a AT&T, a empresa contribuirá com capital, conhecimento do mercado mexicano e experiência operacional em telefonia móvel. Na avaliação da vendedora, a operação ficará em melhores mãos com um grupo local capaz de somar ativos atrativos e melhorar a proposta de valor oferecida aos clientes.
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COMPRA SERÁ FINANCIADA COM DÍVIDA
- Financiamento: combinação de recursos em caixa e empréstimos garantidos sem direito de regresso contra os acionistas
- Garantias: os credores ficam restritos às garantias definidas para o financiamento e não podem cobrar automaticamente os demais ativos dos sócios
- Contabilidade da Televisa: a participação será registrada como investimento em empreendimento controlado em conjunto, pelo método de equivalência patrimonial previsto nas normas internacionais de contabilidade (IFRS)
- Contabilidade da AT&T: a unidade mexicana será classificada como ativo mantido para venda, ainda dentro das operações continuadas, no balanço do terceiro trimestre de 2026
- Próximo passo: aval dos reguladores mexicanos, com fechamento previsto para o primeiro trimestre de 2027
Até a conclusão do negócio, a AT&T afirma que não haverá mudanças nos serviços prestados aos clientes norte-americanos, incluindo consumidores que viajam ao México e contas corporativas. A transação segue sujeita às autorizações regulatórias mexicanas e às demais condições previstas em contrato, o que ainda pode influenciar o cronograma de fechamento estimado pelas empresas.












