Patrick Holland/CNET

Celular de Trump fica mais caro que o iPhone 17e

Cristino Melo
7 min de leitura

O celular da Trump Mobile ficou mais caro que o iPhone 17e depois de um reajuste silencioso aplicado pela operadora americana ligada à família de Donald Trump. O T1 Phone, aparelho dourado vendido como carro-chefe do serviço móvel da marca, passou de US$ 499 para US$ 749, cerca de R$ 3.820 na cotação atual, uma alta de US$ 250 sem qualquer comunicado oficial.

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A mudança foi identificada pelo site The Verge, que percebeu a atualização discreta da página de vendas durante a madrugada. Nenhuma característica técnica do produto foi alterada no processo. Na prática, o comprador desembolsa cerca de R$ 1.275 a mais pelo mesmo telefone anunciado no ano passado e que só começou a chegar aos clientes em maio deste ano.

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RAMAGEDDON PRESSIONA O MERCADO

A operadora não explicou o motivo do aumento, mas o momento é de alta generalizada no setor. A escassez de chips de memória provocada pela corrida por infraestrutura de inteligência artificial vem encarecendo componentes básicos, um cenário que o mercado apelidou de RAMageddon. O T1 Phone é justamente um aparelho com configuração generosa de memória, com 512 GB de armazenamento e 12 GB de RAM.

Nem a Apple escapou da pressão. A empresa acabou de elevar em US$ 100 o preço de modelos mais antigos do iPhone, movimento que veio quase três meses depois de reajustes aplicados em outras linhas de produto. A tabela abaixo reúne os principais aumentos anunciados pela fabricante nos últimos meses, com a conversão feita pela cotação atual do dólar comercial:

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ProdutoAumento em dólarEquivalente em real
iPhone (modelos antigos)US$ 100R$ 510
iPadaté US$ 200até R$ 1.020
MacBookaté US$ 500até R$ 2.550
Mac Studioaté US$ 1.300até R$ 6.630

O PREÇO PROMOCIONAL QUE ACABOU

O reajuste não pega de surpresa quem acompanhou o discurso da operadora desde o anúncio do aparelho. Executivos da Trump Mobile já haviam classificado os US$ 499 como valor introdutório e admitiram que o telefone poderia custar bem mais no futuro. O caminho até os US$ 749 atuais foi construído em etapas, com mudanças discretas na própria página de vendas:

  1. Anúncio e pré-venda: US$ 499, apresentado pelos executivos como valor introdutório
  2. Meses depois: o site passa a chamar a mesma cifra de preço promocional
  3. Agora: valor sobe para US$ 749, ou R$ 3.820, e a palavra promocional some da página
  4. Cenário admitido pela própria empresa: até US$ 999, algo perto de R$ 5.095

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O QUE US$ 749 COMPRAM HOJE

Com o novo valor, o T1 Phone passa a disputar espaço com aparelhos bem mais competitivos no mercado americano, e a comparação não favorece o modelo dourado que já foi comparado a uma amostra de urina por causa do acabamento. Quem tem US$ 749 no bolso encontra opções com processadores mais rápidos, câmeras melhores e política de atualização definida:

  • iPhone 17e: sobra dinheiro para acessórios
  • Galaxy S26 FE: mesma faixa de preço, ficha técnica superior
  • iPhone 16: um pouco acima, mas com plataforma consolidada
  • Pixel 10: alternativa com suporte de software mais longo

A comparação fica ainda mais desfavorável quando se olha para o histórico do produto. Uma análise técnica da iFixit apontou que o telefone é prometido como feito nos Estados Unidos, mas vem da China, ao contrário do que a Trump Mobile divulgou no lançamento, e que o modelo é essencialmente uma versão remodelada de um aparelho da HTC já vendido em outros mercados sob outra marca.

Imagem: NBC News/Reprodução

SUPORTE FRACO E ENTREGAS EM ABERTO

Desde o lançamento, o T1 Phone recebeu apenas uma atualização de software, que levou o dispositivo do patch de segurança de fevereiro de 2026 para o de maio de 2026. O sistema continua sendo o Android 15, versão que já soma dois anos de estrada. Para um celular que agora custa o equivalente a um intermediário premium, o ritmo de suporte é considerado baixo.

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Há ainda a questão logística, que segue sem solução. Embora os envios tenham começado oficialmente em maio, quase um ano após o anúncio do produto, não está claro quantos consumidores realmente receberam o aparelho em casa. Uma reportagem da BBC publicada no mês passado mostrou que parte dos compradores continua esperando a entrega, sem previsão de prazo.

LIÇÃO PARA AS OPERADORAS VIRTUAIS

O caso serve de alerta para o modelo de operadora virtual, formato em expansão também no Brasil, onde MVNOs usam a rede de grandes empresas e tentam se diferenciar por marca, serviços e aparelhos próprios. Quando o hardware vira o principal atrativo do plano, qualquer solavanco na cadeia de componentes se transfere direto para o cliente, e a confiança na marca tende a pagar a conta.

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