Bernd 📷 Dittrich/Usplash

Starlink vai crescer muito, mas ainda tem um grande ponto fraco

Cristino Melo
7 min de leitura

A Starlink deve multiplicar por dez sua capacidade de internet com a chegada dos satélites V3, mas um novo estudo da consultoria MoffettNathanson mostra que a operadora continuará mais competitiva em regiões de baixa densidade populacional. A avaliação parte do analista Craig Moffett e considera tanto o mercado americano quanto o restante do mundo.

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O motivo está na quantidade de assinantes que cada célula de cobertura da Starlink consegue atender ao mesmo tempo. Mesmo com satélites mais robustos, esse limite técnico deve impedir que a rede compita de igual para igual com fibra óptica e cabo nas cidades mais densas dos Estados Unidos e de outros países ao longo dos próximos anos, segundo o levantamento.

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CAPACIDADE DEZ VEZES MAIOR

A SpaceX mira o dia 16 de julho para um novo voo de teste do foguete Starship, que deve levar ao espaço os primeiros satélites da geração V3 e testar sua conexão com o restante da constelação em órbita. Se o teste for bem-sucedido, o caminho estará aberto para o lançamento orbital em escala dessa nova geração, que promete o maior salto de capacidade já visto na história da Starlink. Veja os principais números do teste e da nova geração de satélites:

  • Data-alvo do teste: 16 de julho, com o foguete Starship
  • Satélites V3 a bordo: 20 unidades, pela primeira vez
  • Conexão testada: lasers de alta capacidade com a constelação
  • Reentrada: cerca de 20 minutos após o lançamento, com desintegração na atmosfera
  • Downlink do V3: até 1 Tbit/s
  • Uplink do V3: cerca de 200 Gbit/s
  • Ganho de capacidade: cerca de 10 vezes mais que os satélites V2 mini atuais

LIMITE QUE A V3 NÃO RESOLVE

Segundo o relatório da MoffettNathanson, a Starlink vai continuar mais adequada a mercados de baixa densidade, repetindo o desempenho de tecnologias de acesso fixo sem fio nesses locais. Moffett afirma que a rede seguirá em desvantagem frente à fibra óptica e ao cabo, mesmo depois da transição completa para a nova geração de satélites, processo que deve durar cerca de cinco anos para se completar.

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O analista explica que o principal gargalo não é o tamanho da constelação, e sim a capacidade que cada célula hexagonal de cobertura consegue suportar ao mesmo tempo. Ainda que a V3 aumente a densidade média de clientes atendidos por milha quadrada em relação às gerações anteriores, esse limite tende a cair conforme o consumo médio de dados de banda larga segue crescendo ano após ano no mundo todo.

SpaceX conducts a full-duration static fire test with the upper stage of the Starship V3
Divulgação/SpaceX

A densidade de cada célula hexagonal permite à Starlink cobrir apenas as faixas de menor concentração populacional dos Estados Unidos, e não mais o topo da escala como acontece hoje. Moffett reforça que não é pessimista quanto à Starlink, mas considera exageradas as expectativas de que a rede vá disputar diretamente os mercados urbanos e suburbanos mais densos do país.

CRESCIMENTO PROJETADO ATÉ 2031

As projeções da MoffettNathanson mostram um crescimento acelerado da base global de assinantes da Starlink ao longo dos próximos cinco anos, puxado principalmente por mercados fora dos Estados Unidos. O analista Craig Moffett organizou as estimativas por região, considerando o avanço gradual da tecnologia V3 e a expansão da operadora em países emergentes ao longo da década, conforme o resumo abaixo:

  • Em 2026: 14,81 milhões de assinantes no mundo, incluindo 3,16 milhões nos Estados Unidos
  • Em 2031: 97 milhões de assinantes, sendo 9,52 milhões nos Estados Unidos, 11,18 milhões em outros mercados desenvolvidos e 48,46 milhões no restante do mundo, exceto China e Rússia
  • Receita total: de US$ 16,7 bilhões em 2026 para US$ 97,3 bilhões em 2031, impulsionada por conexões residenciais e corporativas

A receita média por usuário também deve variar bastante conforme a região atendida pela rede. Moffett projeta um ARPU de US$ 60,83 entre os assinantes residenciais americanos até 2031, mais que o dobro da média global estimada em US$ 27,17, reflexo direto do peso crescente de mercados emergentes na base total de clientes da Starlink ao longo da próxima década.

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BASE AINDA É MAJORITARIAMENTE RURAL

Um levantamento da New Street Research, com apoio da Recon Analytics, reforça o cenário de concentração em áreas rurais na base de clientes da Starlink. Os analistas David Barden, Vikash Harlalka e Ryan Smith explicam que o impacto sobre operadoras de banda larga fixa nos Estados Unidos ainda é limitado, já que a operadora tem se concentrado em regiões com poucas alternativas de conexão de qualidade. Confira os principais números do levantamento, referente ao segundo trimestre deste ano:

  • 83% dos assinantes da Starlink: já tinham internet fixa antes de migrar (switchers)
  • 17% dos assinantes: eram consumidores sem acesso prévio à banda larga
  • Quase metade dos cancelamentos no período: veio de ex-clientes de TV a cabo
  • Impacto sobre operadoras fixas nos EUA: ainda limitado, segundo os analistas

Isso deve mudar à medida que a capacidade extra da V3 permitir preços menores e uma disputa mais direta por clientes das operadoras tradicionais nas cidades densamente povoadas. Os dados indicam que a Starlink tem crescido principalmente ao atrair clientes de outras tecnologias de conexão, e não apenas ao levar internet a quem nunca teve acesso à banda larga fixa antes.

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