A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou os resultados de mais uma edição do seu Relatório de Monitoramento da Competição e, até aqui, sem muitas surpresas.
O documento, referente ao segundo trimestre de 2026, mostra um amplo domínio das três grandes teles (Vivo, Claro e TIM). Por outro lado, há uma dinâmica clara se desenhando nessa disputa pelo “trono” do telecom brasileiro.
As empresas competem ferozmente por clientes nas modalidades pré e pós-pago, bem como pela expansão da presença no espectro 5G.
As três grandes seguem no topo, mas a TIM está “derretendo”
Apesar do domínio do chamado “oligopólio” do setor de telecomunicações no Brasil, a TIM tem tido repetidos resultados negativos no que diz respeito à aquisição de novos clientes.
A empresa, que ocupa a terceira posição com 22,4% de market share, é a única grande prestadora a apresentar perda contínua de participação de mercado ao longo de toda a série histórica.
A Vivo, por outro lado, respira aliviada. Pela primeira vez em cinco trimestres, a operadora conseguiu estancar a queda de participação. No segundo trimestre de 2026, foram 1,02 milhão de novas linhas adicionadas.
A Claro também segue forte. No acumulado do primeiro semestre, a operadora somou 2,2 milhões de adições, consolidando 33,2% do mercado.
Esse redesenho ocorre em um terreno onde o crescimento orgânico já não é o motor principal. Hoje, a guerra é por quem migra melhor o cliente do 4G para o 5G e converte o usuário do pré-pago para o pós-pago.
Com 66,1 milhões de acessos, o 5G já representa 23,9% da base total, mostrando-se como o campo de batalha definitivo.
O cenário pode mudar?
Em 5.452 municípios, Vivo, Claro e TIM dominam entre 90% e 100% do serviço móvel. Esse domínio é impenetrável em cidades com menos de 30 mil habitantes, onde barreiras de entrada e baixa atratividade econômica protegem as gigantes.
Portanto, uma mudança de paradigmas é, nesse momento, praticamente impossível. O mercado brasileiro é, e continuará sendo por alguns anos, dominado pelas três grandes.
Contudo, há um movimento sutil vindo de operadoras fora desse grupo. Em apenas um ano, a participação de mercado dessas “menores” saltou de 5% para 6,5%. Embora seja uma fatia marginal, o dado é revelador.
A mudança no topo dificilmente virá de uma nova gigante do dia para a noite. Ela virá da persistência dessas pequenas teles em nichos onde as grandes deixam a desejar.
Um bom indicador disso é a ascensão de empresas como a Unifique, no Sul, e a Brisanet, que depois de firmar alicerce no Nordeste, agora ruma ao Centro-Oeste.
Por enquanto, o “clube dos três” ainda mantém as chaves do setor, mas a porta começa a ficar, aos poucos, um pouco mais aberta.












