Durante anos, o Gorilla Glass, produto da americana Corning, foi sinônimo de proteção nas telas de celulares ao redor do mundo. Agora, fabricantes como Honor, Huawei e Xiaomi estão desenvolvendo soluções próprias e colocando em xeque o domínio da Corning no mercado global de smartphones. A mudança acontece de forma gradual, mas já é perceptível nas linhas premium dessas marcas, que chegam ao Brasil com tecnologias de vidro desenvolvidas internamente.
O movimento ganhou destaque após o portal Android Authority publicar declarações oficiais das empresas explicando os motivos da transição. As razões vão além da simples redução de custos: em vários casos, os fabricantes afirmam que o Gorilla Glass simplesmente não atende às necessidades específicas de seus produtos mais avançados, especialmente smartphones dobráveis e aparelhos ultrafinos.
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O QUE MOTIVOU A MUDANÇA
Cada fabricante apresentou justificativas próprias para deixar de usar o Gorilla Glass em parte de seus produtos. Veja o posicionamento de cada uma:
- Honor: em 2021, o mercado não oferecia vidro-cerâmico adequado para telas curvas. A empresa investiu em pesquisa própria e lançou sua tecnologia no Honor Magic 3 Pro Plus. Em 2024, o Honor Magic 6 estreou a segunda geração, batizada de Honor NanoCrystal Shield, voltada para aparelhos finos e dobráveis.
- Xiaomi: mantém o Gorilla Glass em celulares de entrada e intermediários, mas adotou o Shield Glass e o Shield Glass 2.0 nos topos de linha, como o Xiaomi 15 Ultra. A empresa afirma selecionar materiais que “otimizam durabilidade e desempenho” de forma combinada.
- Huawei: seguiu tendência semelhante às concorrentes, priorizando soluções internas nos modelos mais avançados de seu portfólio, sem depender de fornecedores externos para os componentes de proteção de tela.
Apesar das mudanças, a Honor deixou claro que não abandona completamente o Gorilla Glass. Para as linhas Number e X, que incluem modelos intermediários e de entrada, a empresa continuará usando o vidro da Corning ou outras soluções de terceiros. A adoção do vidro-cerâmico próprio fica restrita à linha Magic, justamente pelo custo significativamente mais alto desse material em comparação ao Gorilla Glass tradicional.
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GORILLA GLASS AINDA DOMINA O MERCADO
Apesar da movimentação de algumas marcas, o Gorilla Glass permanece como escolha predominante na indústria. Samsung, Google, Motorola e Nokia estão entre os grandes fabricantes que continuam utilizando o produto da Corning em suas linhas de smartphones. Vale destacar também que a Apple usa o Ceramic Shield, que tecnicamente não é o mesmo que o Gorilla Glass, mas também é fabricado pela Corning, o que reforça a relevância da empresa no setor.
A Corning, portanto, ainda está longe de perder sua posição no mercado global. O Gorilla Glass segue evoluindo, com a linha Gorilla Armor lançada como solução antirreflexo e de alta resistência, mas testes informais já mostraram que nem mesmo as versões mais recentes são completamente invulneráveis a danos por quedas, o que abre espaço para que alternativas continuem sendo exploradas.

ALTERNATIVAS SÃO REALMENTE SUPERIORES?
A grande dúvida que permanece no setor é se os vidros desenvolvidos pelas próprias fabricantes realmente superam o Gorilla Glass em resistência e durabilidade. As empresas afirmam que seus produtos oferecem melhor resistência a arranhões e outros atributos importantes, mas testes objetivos e independentes ainda não confirmaram essas afirmações de forma conclusiva. Por ora, o consumidor depende das declarações dos próprios fabricantes.
Para o consumidor brasileiro que está escolhendo um novo celular, vale prestar atenção ao material utilizado na tela do aparelho. Dependendo do estilo de uso e do dia a dia de cada pessoa, a escolha entre um vidro proprietário e o Gorilla Glass pode fazer diferença na durabilidade do investimento. O mercado ainda está em fase de avaliação, e os próximos anos serão decisivos para definir se as alternativas ao Gorilla Glass conseguem, de fato, entregar o que prometem.












