Em 2025, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou que os marketplaces e outros canais digitais de vendas só poderiam comercializar smartphones e demais produtos de telecom devidamente homologados. A decisão atingiu a Amazon em cheio.
A empresa, conhecida por seus muitos empreendimentos em serviço de nuvem, internet e até exploração espacial, tem suas bases fincadas em uma das maiores plataformas de telecom do planeta, com abrangência consolidada no Brasil.
E um dos principais trunfos do e-commerce da Amazon é reunir vendedores independentes que comercializam produtos importados, o que inclui smartphones de marcas alternativas (sobretudo chinesas), geralmente não homologados pela Anatel.
Porém, uma decisão judicial posterior tornou nula a determinação da Anatel de impedir a venda de não homologados por marketplaces. Agora, o jogo virou novamente, com outro parecer reafirmando a posição da agência e atingindo a Amazon e demais e-commerces mais uma vez.
A decisão que “garfou” a Amazon
O parecer que colocou a Amazon contra a parede novamente sobre a venda de smartphones foi proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) no último dia 23 de abril. O tribunal reconheceu as prerrogativas regulatórias da Anatel e mandou o caso para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
No parecer anterior, favorável às lojas, o entendimento foi de que não é possível fiscalizar produtos comercializados pelos vendedores que usam os marketplaces. Anteriormente, a Anatel havia solicitado a obrigatoriedade por uma “responsabilização solidária”, onde as empresas responderiam pelos produtos vendidos por vendedores parceiros.
Agora, o imbróglio segue para apreciação do STJ, conforme já destacamos. De qualquer forma, a decisão do TRF-3 obriga a Amazon e demais marketplaces a seguir as determinações da Anatel até que um novo julgamento aconteça.
Contudo, vale dizer que smartphones devidamente homologados continuam sendo vendidos normalmente. Nesse caso, nenhuma nova legislação pode interferir.
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A importância da homologação, segundo a Anatel
Não é de hoje que a Anatel vem empreendendo esforços para universalizar a homologação de eletrônicos no Brasil. Periodicamente, operações da entidade em parceria com a Receita Federal apreendem produtos não homologados.
De acordo com a Anatel, esses materiais representam riscos à segurança e à saúde dos usuários. É por meio do processo de homologação que são verificados requisitos como compatibilidade com redes de telecom locais, qualidade de construção e outros elementos fundamentais.
Produtos não homologados geralmente têm origem na Ásia, entrando pelo país diretamente ou por meio da fronteira com o Paraguai. As autoridades de fronteira prestam uma atenção especial a esses produtos, fiscalizando com rigor a entrada de pacotes contendo eletrônicos no país.












