
A TIM confirmou recentemente que mantém tratativas não vinculantes com a IHS Brasil para recomprar sua fatia de 51% na unidade de fibra óptica I-Systems, um movimento estratégico que ocorre neste início de fevereiro no mercado brasileiro para retomar o controle operacional total da infraestrutura, visando maior autonomia e eficiência na prestação de serviços de banda larga fixa, após ter vendido o controle do ativo em meados de 2021 para priorizar o levantamento de capital imediato e o compartilhamento de investimentos pesados.
Leia mais:
- CADE impõe análise mais rígida na aquisição da Um Telecom pela V.tal
- Oi deve leiloar sua participação na V.tal após autorização judicial
- China eleva imposto de telecom e derruba ações das gigantes
Detalhes financeiros e governança da transação
As conversas em andamento entre as empresas apontam para um negócio avaliado em cerca de US$ 170 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 900 milhões na cotação atual. Essa mudança de rumo sinaliza uma nova fase para a empresa, que em 2021 seguiu a tendência global de se desfazer de torres e redes para reduzir custos. Agora, a meta é reintegrar esses ativos para ter domínio completo sobre a expansão da rede em 41 cidades atendidas pela I-Systems, garantindo agilidade frente à concorrência.

A intenção de retomar a infraestrutura física acompanha outros investimentos recentes em tecnologia e serviços corporativos. Um exemplo claro dessa estratégia foi a conclusão da aquisição da V8 Tech por R$ 140 milhões, consolidando a presença da operadora em soluções de nuvem e cibersegurança. A integração da rede óptica própria permitiria que essas novas ofertas digitais fossem entregues com maior controle de qualidade ponta a ponta e melhores margens operacionais no longo prazo.
Para liderar essa fase de ofertas convergentes e expansão de mercado, a companhia conta com novas peças em seu tabuleiro executivo. A chegada de Thompson Gomes como novo CMO será fundamental para traduzir a posse da infraestrutura em planos comerciais competitivos. O conselho de administração deve avaliar a transação no dia 10 de fevereiro, contando com o suporte do banco Rothschild, que atua como consultor financeiro oficial, embora as partes alertem que as negociações ainda podem levar mais tempo para uma definição final.
O cenário das redes neutras no Brasil
O movimento da tele brasileira reflete uma tendência de re-verticalização no setor de telecomunicações nacional. No ano passado, a rival Vivo também retomou a propriedade total da FiBrasil, sua respectiva joint venture. Isso ocorre porque operadoras neutras, como a IHS Towers, têm enfrentado desafios severos para atingir a escala necessária de clientes fora de seu sócio principal. Sem a entrada de outros grandes players como locatários, a sustentabilidade do modelo independente acaba sendo dificultada no atual cenário econômico.
A I-Systems, originalmente concebida como FiberCo, possui números robustos que justificam o interesse na recompra por parte da operadora. Abaixo, detalhamos os principais indicadores da unidade que está no centro das negociações atuais, conforme os dados disponibilizados:
| Dado Operacional da I-Systems | Informação Relevante |
| Participação em negociação | 51% (atualmente com a IHS) |
| Cobertura habitacional | 9,3 milhões de residências |
| Presença geográfica | 41 cidades brasileiras |
| Valor de avaliação da fatia | Cerca de R$ 900 milhões |
| Status das tratativas | Não vinculante e em análise |
Em Fato Relevante divulgado ao mercado, a operadora esclareceu que não há garantias de conclusão, mas admitiu a existência das tratativas oficiais. A transparência foi necessária após rumores de que a Alloha Fibra também estaria avaliando o ativo em uma auditoria. No entanto, a prioridade da tele é clara: fortalecer sua malha para sustentar o Plano Estratégico. Além da I-Systems, o mercado monitora possíveis conversas da companhia com a V.tal, empresa de rede neutra originada de ativos da Oi, para uma possível fusão futura.
A retomada do controle operacional da I-Systems permitirá que a empresa gerencie de forma autônoma a construção e manutenção de sua infraestrutura óptica. Hoje, sob a joint venture, a IHS é responsável pelas obras, enquanto a tele atua como a cliente âncora. Ao eliminar esse intermediário, a companhia ganha velocidade na expansão do serviço para novas residências, garantindo que o crescimento da base de assinantes não seja limitado por cronogramas de terceiros, unificando a gestão técnica e comercial da fibra no país.












