
A internet via satélite pode ganhar uma nova concorrente no Brasil a partir de 2026, com a chegada da China ao mercado por meio da SpaceSail. A constelação chinesa de satélites de baixa órbita protocolou pedido na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em novembro de 2025 para operar no país, visando atender usuários residenciais, corporativos e governamentais, além do mercado de Internet das Coisas (IoT).
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O processo regulatório na Anatel
A empresa chinesa, operada pela Shanghai SpaceSail e conhecida em seu país de origem como Qianfan, submeteu à Anatel um requerimento para o direito de exploração de uma frota composta por 648 satélites. O objetivo é estabelecer uma operação de longo prazo, inicialmente solicitada por um período de 15 anos. O processo chegou recentemente ao Conselho Diretor da agência reguladora brasileira e terá o conselheiro Octávio Pieranti como relator do caso nesta semana.
No entanto, a aprovação pode vir com restrições significativas em relação ao pedido original. A área técnica da Anatel sugeriu que o direito de exploração seja limitado a apenas 324 satélites, com um prazo de validade reduzido para meados de 2031, totalizando pouco mais de cinco anos. Essa recomendação visa manter a coerência regulatória, uma vez que a empresa ainda não possui autorização para operar toda a frota solicitada nem mesmo em seu país natal até o momento.
Pelas normas vigentes no Brasil, uma constelação estrangeira não pode obter permissões que superem os limites definidos pelas autoridades de seu país de origem. Como a SpaceSail detém atualmente autorização para apenas metade dos artefatos na China, o Conselho Diretor da Anatel tende a espelhar essas condições. Caso a empresa consiga ampliar sua frota na Ásia futuramente, poderá solicitar a expansão proporcional da sua capacidade de operação em território brasileiro.
Expansão global e infraestrutura
No cenário internacional, os planos da Shanghai Spacecom Satellite Technology (SSST) são ainda mais audaciosos. Registros na União Internacional de Telecomunicações indicam que a constelação pode atingir 1.296 satélites em uma fase inicial. Veículos de comunicação oficiais chineses apontam uma meta de longo prazo extremamente ambiciosa: alcançar a marca de 15 mil satélites em órbita até 2030, criando uma das maiores redes de conectividade global já vistas no setor.

Para viabilizar a operação técnica no Brasil, a SpaceSail precisará investir em infraestrutura terrestre robusta. O projeto inicial prevê a instalação de pelo menos seis gateways, que funcionam como estações de conexão entre a constelação e as redes locais. Dois desses sites já possuem localizações planejadas, sendo um no estado de São Paulo e outro no Distrito Federal. Os locais para os outros quatro gateways restantes ainda deverão ter suas localidades definidas conforme o cronograma.
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Concorrência e soberania digital
A entrada da operadora chinesa ocorre em um momento estratégico para o mercado brasileiro, atualmente dominado pela Starlink. A empresa de Elon Musk concentra cerca de 46% do mercado nacional de banda larga por satélite, com forte presença em áreas rurais. O governo brasileiro vê na chegada da SpaceSail uma oportunidade de diversificar os fornecedores e reduzir a dependência tecnológica de um único player estrangeiro, promovendo uma concorrência que pode baixar preços.
Além da oferta comercial direta, a SpaceSail já possui laços com o Brasil por meio de um acordo firmado em 2024 com a Telebras. Essa parceria visa utilizar a tecnologia chinesa para expandir a conectividade em regiões remotas e fortalecer a cooperação tecnológica bilateral. Com o lançamento mais recente de satélites realizado em outubro de 2025, o grupo de Xangai demonstra estar acelerando o passo para cumprir a meta de iniciar as vendas globais no próximo ano em solo brasileiro.
Aspectos técnicos e sustentabilidade
O projeto da SpaceSail apresenta especificações técnicas robustas e um compromisso claro com a preservação do ambiente orbital. A operadora detalhou à Anatel os parâmetros de frequência e as estratégias adotadas para garantir que sua futura rede seja eficiente e sustentável a longo prazo.
- Coordenação espectral com rivais como Starlink, OneWeb, Kepler e AST SpaceMobile.
- Operação em órbita baixa (LEO) com altitude de 1.160 km da superfície.
- Utilização de subfaixas da Banda Ku e bandas Q/V para enlaces de dados.
- Proteção de sistemas geoestacionários para evitar qualquer interferência.
- Capacidades de manobra para descarte seguro dos artefatos ao fim da vida.
- Compromisso de reentrada e desintegração total na atmosfera em até 15 anos.





