
Na última quarta-feira (21), a Blue Origin lançou a TeraWave, uma ambiciosa rede espacial de 6 Tbps projetada para fornecer conectividade de ultra-alta capacidade para empresas, data centers e governos em escala global. O projeto, liderado pela empresa de Jeff Bezos, utiliza uma arquitetura híbrida de satélites para eliminar zonas mortas de comunicação e oferecer velocidades simétricas onde a fibra terrestre é inviável, transformando a infraestrutura de rede atual.
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Foco no mercado corporativo e governamental
Diferente do que ocorre com outros serviços voltados ao consumidor final, a TeraWave se posiciona exclusivamente no mercado B2B e de segurança nacional. A ideia é oferecer uma camada de conectividade espacial que se integre às infraestruturas de rede já existentes, funcionando como um suporte crítico para operações que não podem sofrer interrupções. A Blue Origin destaca que a meta não é atingir milhões de assinantes domésticos, mas sim atender um grupo seleto de cerca de 100 mil clientes de alta demanda.

Essa estratégia busca preencher uma lacuna deixada pelas redes residenciais, que muitas vezes sofrem com congestionamento e latência variada. Para o setor público, a promessa é de resiliência extrema: garantir comunicações seguras para defesa e missões humanitárias em locais remotos ou onde a infraestrutura subsea foi comprometida. A proposta de valor central reside na escalabilidade rápida e na redundância, permitindo que governos mantenham o controle situacional em qualquer cenário.
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Especificações técnicas da constelação
Abaixo, detalhamos os componentes técnicos que permitem que a Blue Origin alcance números tão expressivos em sua nova rede espacial:
| Componente | Quantidade | Altitude de Operação | Tecnologia de Link | Velocidade por Unidade |
| Camada LEO | 5.280 satélites | 520 km a 540 km | Radiofrequência Banda Q/V | Até 144 Gbps |
| Camada MEO | 128 satélites | 8.000 km a 24.200 km | Links Ópticos (Laser) | Até 6 Tbps |
| Total da Rede | 5.408 unidades | Multi-orbital | Híbrida (RF + Laser) | 6 Tbps Symmetrical |
Diferenciação estratégica e competitividade
Um dos maiores atrativos da TeraWave é o fornecimento de velocidades simétricas, algo raro em conexões via satélite tradicionais. Isso significa que a taxa de upload é idêntica à de download, um requisito essencial para transferências de dados de Internet das Coisas (IoT) em tempo real e processamento de Inteligência Artificial na borda. Com essa capacidade, a empresa espera atrair provedores de nuvem que precisam replicar volumes massivos de dados entre data centers distribuídos globalmente.
O anúncio da Blue Origin acontece em um período de intensa movimentação no setor de telecomunicações espaciais. Recentemente, vimos que a Starlink consegue autorização para lançar 7.500 novos satélites para reforçar sua constelação de segunda geração. No entanto, o foco da TeraWave em um nicho de altíssima performance a coloca em uma categoria distinta, competindo mais diretamente com serviços de defesa e backbones de fibra do que com a internet residencial comum.
Cenário de mercado e desafios logísticos
A viabilidade do projeto ainda desperta debates entre analistas devido à agressividade do cronograma de lançamento, previsto para iniciar no final de 2027. Para colocar mais de 5.400 satélites em órbita, a Blue Origin precisará de uma cadência de lançamentos sem precedentes. O mercado global de telecomunicações está cada vez mais saturado e disputado, especialmente com as notícias de que a China irá lançar internet via satélite no Brasil nos próximos meses, o que eleva a pressão por inovação e capacidade de entrega rápida.



