
Nem sempre a conexão chega onde ela é mais necessária. Em um sinal de mudança desse quadro, regiões onde o acesso à internet era escasso ou simplesmente inexistente, a presença do 4G começa a mudar a realidade de comunidades inteiras.
O avanço acontece de forma silenciosa, mas com impacto direto: de acordo com o Ministério das Comunicações, mais de 2.800 localidades rurais, espalhadas pelo Brasil, foram contempladas com cobertura de rede nos últimos dois anos.
O MCom afirma que R$ 4 bilhões foram investidos em infraestrutura de telecomunicações no período, com o objetivo de levar conectividade a zonas esquecidas pelo mercado. Ainda segundo dados oficiais, 1,7 milhão de pessoas já foram beneficiadas.
Conectividade na zona rural deixa de ser promessa
A chegada do sinal transforma mais do que a forma como as pessoas se comunicam. Em muitas dessas localidades, a conectividade na zona rural permitiu a adoção de ferramentas antes restritas às cidades.
Agricultores passaram a utilizar sistemas digitais para otimizar suas colheitas, estudantes conseguiram acessar conteúdos escolares e profissionais de saúde viram surgir alternativas de atendimento online.
Mas não é só isso. Em alguns casos, é a primeira vez que moradores têm acesso à internet móvel com estabilidade, o que representa uma quebra de isolamento social e digital.
Serviços públicos, programas de transferência de renda e atendimento remoto agora podem ser acessados diretamente do celular.
Parte dos compromissos do leilão do 5G, expansão usa modelo de leilão reverso
A iniciativa integra um conjunto maior de compromissos assumidos pelas operadoras durante o leilão do 5G. Uma das condições impostas foi justamente a interiorização do acesso à internet, com prioridade para áreas de baixa cobertura.
Para isso, o governo utilizou uma ferramenta específica: o leilão reverso. Nesse modelo, as empresas interessadas escolhem localidades da lista oficial e disputam quem oferece o menor custo de subsídio para instalar a rede. Quem pedir menos, leva o contrato.
Além do Ministério, outras entidades participaram da articulação, como o Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired) e a Anatel. O objetivo é simples, mas ambicioso: usar o espectro de maneira mais inteligente para ampliar o acesso onde ele não existia.
Mais jovens no campo, mais renda e mais permanência
Para o Ministério das Comunicações, o projeto não se resume à conectividade. A ideia é criar condições para que as pessoas possam viver melhor onde estão, sem que o distanciamento geográfico represente atraso digital.
A conectividade na zona rural é vista como um fator de retenção de jovens, um estímulo ao empreendedorismo local e um passo necessário para a transformação social.
No fim, trata-se de uma política de base: silenciosa, muitas vezes invisível aos olhos das grandes cidades, mas fundamental para construir um país mais conectado e, portanto, mais justo.
* Com informações do Ministério das Comunicações




