24/02/2024

Construção de usina no Ceará pode deixar o país inteiro sem internet

Projeto do governo prevê a construção de uma usina de dessalinização para o fornecimento de água para a população de Fortaleza; entenda.

Um projeto do governo de construção de uma usina de dessalinização, onde propõe converter água do mar em potável na Praia do Futuro, em Fortaleza, pode comprometer a internet de todo o país. Acontece que no local há um ponto de conexão de cabos submarinos que ligam o Brasil a outras regiões do planeta (África, Europa e América do Norte e Central).

Apesar da proposta ainda não ter saído do papel, os governantes já estão em embate direto com as empresas do setor de internet. Entretanto, empresas telefônicas temem que a estrutura cause o rompimento de cabos submarinos que fornecem conectividade. Essa localização é estratégica porque Fortaleza fica em um ponto central entre a África, a Europa e os Estados Unidos, que concentram a maior parte dos dados de internet no mundo.

O objetivo da usina é o fornecimento de água para a população de Fortaleza, mas há um problema, pois de acordo com Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), esses cabos são responsáveis por 99% do tráfego de dados, e com a construção, pode ocorrer rompimento nos cabos no mar e, principalmente, na terra, o que levaria a um apagão de internet no país.

“O Ceará, em especial a cidade de Fortaleza, é que garante a interconexão do Brasil com o resto do mundo”, afirmou o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, na última quarta-feira (27.09).

Ou seja, se houver o rompimento dos cabos, o país inteiro fica off-line ou com a internet bastante lenta. Com isso, a Anatel emitiu uma recomendação contra a construção da usina de dessalinização, adiando o projeto em pelo menos seis meses, antes previsto para ser iniciado em 2025.

Luiz Henrique Barbosa, da Associação de Prestadores de Serviços de Telecomunicações, em entrevista ao Jornal Nacional, explicou que “Normalmente, quando tem uma ruptura de uma infra estrutura dessa demora de 40 a 50 dias para ser restabelecido o serviço, então você imagina o impacto que teria, por hipótese, se houvesse um problema com essa infraestrutura, numa região que são os hubs. Eu não estou falando só de uma subestação. Estou falando de diversas subestações na região“.

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), responsável pela construção da usina, diz que é possível realizar o projeto sem prejudicar a conectividade do país.

Neuri Freitas, diretor-presidente da companhia, explicou que a distância entre cabos e outras infraestruturas foi ampliada para mais de 500 metros de onde passam os cabos submarinos, e que o terreno destinado à usina permanece a cerca 50 metros do trecho dos cabos instalados em terra, impedindo quaisquer riscos.

“A nosso ver, isso está totalmente resolvido, não vamos trazer nenhum risco, buscamos a conciliação. A gente acha que não há esse risco já que no continente todos os cabos cruzam com alguma estrutura, como rede de gás, de energia e diversas outras estruturas”, afirmou.

ViaG1
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