24/02/2024

Amazônia e TV Digital são destaques em evento sobre ESG feito pelo MCom

Evento promovido pelo MCom teve como objetivo tratar dos pilares do ESG e como eles tem sido aplicados no Brasil.

O Ministério das Comunicações (MCom) promoveu o segundo dia de atividades do I Encontro de Sustentabilidade ESG do MCom e Entidades Vinculadas (ESG MCom 2023), nesta quarta, 16. Durante esse evento, foram realizados três painéis dedicados à exploração e discussão de conceitos relacionados à sustentabilidade ESG, que abrange os pilares de Meio Ambiente, Social e Governança, conforme sua sigla em inglês.

ESG MCom

O destaque do primeiro painel do dia foi o tema “Experiências da iniciativa privada na gestão ambiental”, que contou com a mediação de Daniela Naufel Schettino, diretora do Departamento de Radiodifusão Pública, Comunitária e Estatal do MCom.

Os convidados que compuseram o painel foram Francisco Peres, engenheiro e coordenador na Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão, e Ismael Nobre, consultor científico da Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (FUEA), que gerencia o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA).

Nesse contexto, os participantes compartilharam suas visões sobre as práticas adotadas pela iniciativa privada no que tange à gestão ambiental. Além disso, eles discutiram a interligação dessas práticas com as políticas públicas estabelecidas pelo Ministério das Comunicações, evidenciando como as ações do setor privado podem contribuir para os objetivos e diretrizes governamentais de sustentabilidade.

A televisão digital

Na apresentação realizada durante um painel, Francisco Peres abordou a evolução das iniciativas no âmbito da radiodifusão, visando tornar a infraestrutura de transmissão mais amigável ao meio ambiente durante a transição da TV Analógica para a TV Digital.

A partir do ano de 2018, surgiu um desafio significativo para o setor: com a meta de encerramento das transmissões analógicas, foi necessário atualizar a infraestrutura utilizada no modelo de TV analógica. Isso implicava em otimizar o uso dos recursos, como o espaço disponível e a energia consumida, enquanto ainda mantinha a eficiência na disseminação de conteúdo, cultura, informações e entretenimento para a população brasileira, especialmente em áreas rurais e menos urbanizadas.

Para enfrentar esse desafio, foram realizados projetos-pilotos em diferentes cidades, como Tiradentes (MG), Siqueira Campos (PR) e Espumoso (RS). Através de diversas iterações e aprimoramentos, foi desenvolvido um modelo final que se destacou por sua sustentabilidade e eficiência econômica, superando a versão anterior. Esse novo modelo foi então implementado em aproximadamente 1,5 mil estações de transmissão em todo o território nacional.

Francisco Peres destacou a importância do momento em que esse modelo foi concebido, pois coincidiu com o lançamento de uma política pública chamada Digitaliza Brasil, promovida em colaboração pelo Ministério das Comunicações (MCom) e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ele afirmou que sem o suporte proporcionado por essa política, talvez não teria sido viável realizar a implementação em uma escala tão abrangente.

“Chegamos a esse modelo em um momento muito oportuno, que coincidiu com o lançamento de uma política pública promovida pelo MCom e pela Anatel: o Digitaliza Brasil. Se não fosse por essa política, talvez não seria possível uma implementação na mesma escala”.

Desenvolvimento do Norte e Amazônia 4.0

No contexto do desenvolvimento sustentável da Amazônia, foram abordadas diversas iniciativas promovidas por bancos, empresas privadas e organizações sociais focadas na gestão ESG. O painelista Ismael Nobre, representante da Fundação Universidade do Estado do Amazonas (FUEA), apresentou uma visão detalhada dos projetos e ações conduzidos pela FUEA para impulsionar o progresso econômico da região amazônica. Um destaque importante surgiu durante a discussão: a infraestrutura de comunicações, vista como um fator “essencial” para o êxito de todos os empreendimentos na área.

Nobre enfatizou que a falta de uma “revolução da comunicação” pode limitar a capacidade de aproveitar plenamente os potenciais da Amazônia. Ele usou o exemplo do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) para ilustrar a importância das comunicações na região. Além disso, ele destacou o Programa Norte Conectado como uma iniciativa promissora para estender a infraestrutura de fibra óptica até as áreas mais remotas da Amazônia. Para Nobre, a integração dos princípios ESG é fundamental para viabilizar essa transformação.

Outra abordagem fundamental mencionada foi a iniciativa Amazônia 4.0, uma Organização da Sociedade Civil composta por cientistas e pesquisadores. De acordo com Nobre, essa iniciativa busca redefinir o modelo de desenvolvimento da Amazônia, equilibrando a conservação ambiental com melhorias na qualidade de vida e a inclusão social, econômica e tecnológica das comunidades locais.

A concepção da Amazônia 4.0 está intrinsecamente alinhada com os princípios ESG. Seu objetivo é criar uma economia de valor agregado na região, onde os recursos da floresta amazônica ganham destaque econômico sobre alternativas menos sustentáveis. Nobre ressaltou a incrível potencialidade econômica da biodiversidade amazônica, especialmente com a crescente relevância da biotecnologia, que revela a importância dos recursos naturais da floresta para a economia global.

Em suma, a discussão destacou a interconexão entre desenvolvimento sustentável, inovações tecnológicas e a incorporação de princípios ESG na promoção do crescimento econômico da Amazônia. As iniciativas apresentadas demonstram uma abordagem abrangente que busca não apenas a prosperidade econômica, mas também a preservação ambiental e o bem-estar das comunidades locais.

ViaMCom
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