22/05/2024

MCom convoca operadoras e Anatel para analisar 4G e 5G do Maranhão

Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, alegou que o serviço de 4G ficou ruim após a chegada do 5G no estado do Maranhão.

Na quinta-feira (13), em Brasília (DF), ocorreu uma reunião entre o Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, deputados estaduais do Maranhão, representantes das três operadoras de telefonia do estado e o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri. Essa reunião foi convocada devido a diversos relatos de problemas relacionados ao serviço de telefonia móvel no estado, que resultaram na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Maranhão.

Maranhão

“Havia a impressão que contávamos com um bom serviço de 4G, que funcionava bem. Quando chegou o 5G – e a expectativa era de ter um serviço ainda melhor –, o 4G começa a não funcionar como antes”, questionou o ministro. 

Juscelino ainda mencionou que a quinta geração de redes móveis já conta com a limpeza da faixa de 3,5GHz concluída em 26 municípios do Maranhão.

Após acordo entre as empresas de telecomunicações, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Ministério das Comunicações (MCom), ficou decidido que será realizado um “tour de divulgação” – uma espécie de visita pontual, técnica e conjunta no local – para verificar as reclamações, utilizando equipamentos (torres, dispositivos instantâneos de medição de sinal etc.) fornecidos pela própria Anatel. 

Para dar início aos trabalhos, que serão coordenados pelo MCom, os representantes do estado do Maranhão realizarão uma pesquisa preliminar das áreas a serem analisadas. Ao final da reunião, o ministro Juscelino Filho também solicitou às empresas de telecomunicações que forneçam informações sobre os planos de investimento e expansão da rede móvel planejados para este ano.

Reclamações 

O deputado Neto Evangelista afirmou que a qualidade do sinal de telefonia móvel é melhor no interior do Maranhão do que na capital. Ele relatou que em São Luís o 4G não funciona adequadamente e as chamadas no Whatsapp frequentemente caem. Um requerimento para a criação de uma CPI para investigar a situação já foi assinado por 38 dos 42 deputados da Assembleia.

Outra reclamação mencionada foi sobre o atendimento aos clientes da antiga operadora Oi, que foram absorvidos por outras empresas. Segundo o deputado, a qualidade do sinal piorou durante a transição. Além disso, os clientes têm dificuldade em obter suporte, pois as operadoras só resolvem problemas relacionados a contas pós-pagas. Os relatos indicam que os clientes são sugeridos a migrar para um plano pós-pago para obter o atendimento desejado.

O deputado Osmar Filho também pediu durante a reunião a ampliação tanto dos pontos de atendimento presencial das operadoras quanto da cobertura móvel no interior do Maranhão.

O que as operadoras falaram 

O segundo no comando de Relações Institucionais da Claro Brasil, Fábio Andrade, revelou que, embora a empresa não tenha identificado “grandes questões”, confirmou a presença de falta de estabilidade em áreas particulares e propôs a organização de uma “turnê de apresentação” antes do início da CPI na Assembleia. Segundo o vice-presidente, a Claro planejou a implantação de 191 novos locais (antenas) para o estado do Maranhão em 2023, com 46 já instalados até o momento.

Cleber Affanio, responsável pelas relações institucionais da TIM Brasil, também mencionou que a empresa não identificou “dificuldades muito evidentes”. Ele destacou que houve um aumento significativo no tráfego da rede 4G nos últimos anos e que em alguns casos o problema no serviço pode estar relacionado à necessidade de expandir o número de antenas. Segundo o executivo, a TIM realizou 19 melhorias na rede 4G em 2023 no estado do Maranhão, abrangendo 18 municípios, e ainda há planos para realizar outras 52 melhorias em 34 municípios até o mês de dezembro.

A Vivo afirmou  que teve um aumento significativo no número de usuários no estado do Maranhão após absorver os clientes da extinta Oi. O diretor de Relações Institucionais da Vivo, Tiago Machado, relatou que a empresa praticamente dobrou sua base de usuários, alcançando 2 milhões de linhas móveis na região. Para melhorar a capacidade de atendimento, a Vivo instalou 51 novas torres em 2022.

Machado destacou que no ano anterior a empresa enfrentou alguns desafios, com três ou quatro situações de impacto significativo em seu desempenho. Essas situações estavam relacionadas a furtos e roubos de cabos, equipamentos e elementos de rede, totalizando 14 mil metros de cabos roubados. Diante disso, ele solicitou apoio no combate ao crime organizado e pediu aos parlamentares que alterem a legislação para exigir a nota fiscal do cobre, usado como matéria-prima.

Durante a reunião, o diretor da Vivo determinou que todos os clientes sejam atendidos, tanto nas lojas próprias da empresa quanto nas franquias.
Por fim, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, afirmou que a agência identificou problemas locais, incluindo congestionamentos quando a Vivo incorporou a Oi, e outras deficiências em áreas específicas. Ele mencionou que a Anatel não apenas monitora a qualidade do serviço, mas também toma medidas punitivas contra as empresas que não atendem aos requisitos regulatórios. Baigorri enfatizou que não há distinção no tratamento entre clientes pré e pós-pagos e que a Anatel irá agir com base em denúncias recebidas. Em relação ao atendimento presencial, ele informou que o Conselho Diretor da Anatel está discutindo o assunto e em breve anunciará uma decisão.

ViaMCom

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