29/02/2024

Estudo aponta que satélites da Starlink estão vazando radiação

Após observar 68 dos satélites, os cientistas detectaram ‘radiação eletromagnética não intencional’ proveniente da eletrônica de bordo.

De acordo com um estudo de cientistas de várias instituições de pesquisa líderes, incluindo o Instituto Max Planck de Radioastronomia em Bonn, Alemanha, os equipamentos que compõem a constelação de satélites da Starlink estão “vazando radiação”.

Este estudo representa o mais recente esforço para compreender melhor o impacto das constelações de satélites na radioastronomia”, disse o principal autor do estudo Federico Di Vruno, do Observatório SKA e da União Astronômica Internacional.

Após observar 68 dos satélites da SpaceX, os cientistas concluíram que detectaram “radiação eletromagnética não intencional” proveniente da eletrônica de bordo. A radiação não intencional pode impactar a pesquisa astronômica. Eles encorajam os operadores de satélite e os reguladores a considerar esse impacto na radioastronomia no desenvolvimento de espaçonaves e nos processos regulatórios.

Di Vruno e seus colegas focaram nos satélites da SpaceX devido ao fato de a empresa possuir o maior número deles em órbita no momento, totalizando mais de 2.000 unidades. Detalhe, hoje esse número é muito maior.

Os cientistas identificaram a radiação com o auxílio do LOFAR, uma rede de radiotelescópios com mais de 20 mil antenas, que é capaz de detectar a emissão de radiação em um amplo espectro de frequências, entre 110 a 188 MHz, proveniente de 47 dos 68 satélites que foram observados.

“Essa faixa de frequência inclui uma banda protegida entre 150,05 e 153 MHz especificamente alocada para radioastronomia pela União Internacional de Telecomunicações (ITU)”, diz o co-autor Cees Bassa do ASTRON, o Instituto Holandês de Radioastronomia.

A banda entre 150,05 e 153 MHz é especificamente designada pela (ITU) para uso exclusivo da radioastronomia. A proteção dessa faixa de frequência garante condições adequadas para a realização de pesquisas e estudos astronômicos importantes. Entretanto, a SpaceX não está violando nenhuma regra, pois, para satélites, esse tipo de radiação não é coberto por nenhum regulamento internacional.

Os autores também realizaram simulações desse efeito a partir de várias constelações de satélites. “Nossas simulações mostram que quanto maior a constelação, mais importante esse efeito se torna à medida que a radiação de todos os satélites aumenta. Isso nos preocupa não apenas com as constelações existentes, mas ainda mais com as planejadas. E também sobre a ausência de regulamentação clara que proteja as bandas de radioastronomia de radiação não intencional ”, diz o coautor Benjamin Winkel, do Instituto Max Planck de Radioastronomia (MPIfR).

Por enquanto, o impacto desse vazamento de radiação ainda é relativamente pequeno, mas pode ser prejudicial no futuro. Os cientistas informaram que estão em contato com a SpaceX, que se prontificou a manter a discussão para encontrar possíveis maneiras de mitigar quaisquer efeitos adversos à astronomia de forma colaborativa.

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