05/04/2024

Operadoras buscam novos modelos de negócios para gerar novas receitas

'Encontrar uma solução que de fato seja significativa para uma empresa de telecomunicações é dificil', avalia o presidente da Claro.

O intenso investimento das empresas de telecomunicações foi um dos principais assuntos tratados no Painel Telebrasil Innovation, realizado nesta quarta-feira (14), em São Paulo. O CEO da Vivo, Christian Gebara, afirma que isso tem feito as operadoras ampliarem sua necessidade de geração de novas receitas.

Para o executivo, o setor é “penalizado” por investir muito na comparação com o volume de receita gerada. Ele cita que a Vivo, em 2022, teve um aporte de mais de R$ 9 bilhões, frente a um faturamento de mais de R$ 48 bilhões. Por isso, a operadora tem buscado novas fontes de receitas, uma vez que o Brasil, diferente de outros países, ainda necessita de investimentos muito grandes em rede.

Para que isso aconteça, estão sendo considerados importantes ativos construídos pela Vivo, como a enorme base de clientes; a ampla rede de canais físicos e online; as faturas enviadas aos seus assinantes mensalmente; e uma marca reconhecida. “A partir daí pensamos em criar um ecossistema em volta do acesso que fornecemos. Esse é o caminho que devemos seguir“, afirmou Gebara.

Entretanto, ele ressalta que vai demorar para trazer um número expressivo na receita, pois se trata de uma estratégia de longo prazo. As parcerias ou participação em outras empresas pode ser uma das estratégias de serviços digitais. Ele ainda fala do hub Wayra e a recém-criada Vivo Ventures, vai permitirá a entrada em verticais que possibilitem a criação de uma proposta de valor mais robusta.

Investimentos setoriais

Buscar novos modelos de negócios, possibilita que as operadoras prospectar novos mercados e áreas de atuação, como o setor agrícola, mas é um desafio ecossistema digital. Gebara fala da necessidade de levar conectividade para área agrícola, que precisa de dispositivos que sejam acessíveis a pequenos produtores, mas que assim como a indústria, varejo e saúde podem passar por uma revolução.

“Há muita gente trabalhando para que isso seja uma realidade e, depois, definir como cobrar por esse serviço. Tudo isso vai ocorrer”, disse.

Durante sua participação no Painel, o presidente da Claro, José Felix, também falou sobre as novas oportunidades de negócios para as operadoras, mas que ele diz que descobrir novos segmentos que agreguem valor para além da conectividade para uma grande empresa, ainda é difícil.

“Hoje existem milhares de pequenas possibilidades de negócios, mas ainda é difícil encontrar uma solução que de fato seja significativa para uma empresa de telecomunicações”, avaliou.

A agropecuária, a indústria e as fintechs são os segmentos mais promissores para a Claro, segundo Felix, que diz que a operadora estudou os segmentos de cidades inteligentes, onde avalia ter uma grande dificuldade de interlocução com os administradores públicos; e no telemedicina há uma grande segmentação no setor, o que torna mais complexa a oferta de novos serviços. Ou seja, ambos segmentos não se mostraram muito promissores para a empresa. “Mas sabemos que, mesmo nos segmentos escolhidos, as soluções são caso a caso”, afirmou.

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