Relembrando… provedores Orolix e InteligWeb

Quem lembra dos discadores de internet que pagavam em dinheiro e distribuíam prêmios para o usuário permanecer conectado?

Imagem dos discadores Orolix e InteligWeb.

Certamente, você lembra da Orolix e InteligWeb.

Ao longo da primeira década dos anos 2000 era comum o uso de discadores de internet.

Em resumo, esses softwares estabeleciam uma conexão entre o computador do usuário e a internet por meio de uma linha telefônica fixa.

Nesse cenário surgiram dois provedores de internet, a Orolix e InteligWeb.

Ambas buscavam oferecer não apenas a conexão, mas também benefícios para os usuários da antiga internet discada.

Em primeiro lugar, ao utilizar os discadores, as marcas pagavam créditos em dinheiro.

Em segundo lugar, elas distribuíam prêmios, como forma de estimular internautas a passarem mais tempo conectados à internet.

As empresas também mantinham parcerias com empresas.

Assim, créditos podiam ser utilizados para trocar por produtos em lojas como Americanas, Carrefour, Pão de Açuçar, Tok&Stok, por exemplo.

Além disso, o usuário ganhava comissão ao indicar amigos.

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Ganhando dinheiro com a Orolix e InteligWeb

O Orolix prometia pagar até R$ 0,48 por hora de conexão.

Já InteligWeb tinha uma moeda própria, o Pii, que a cada hora conectado à internet discada gerava até 0,45 Pii (R$ 0,45).

Por exemplo, se o usuário deixasse o discador funcionando o dia todo, no final do mês ele recebia mais de R$ 300.

Naquele tempo, o usuário pagava o preço de uma ligação local, com o pulso normal custando R$ 0,24 por hora.

O que era a princípio um benefício acabou virando uma forma de gerar renda.

Muitos usuários chegavam a contratar várias de linhas telefônicas fixas unicamente para deixar os discadores funcionando de forma ininterrupta.

Além disso, os discadores tinham, até mesmo, a possibilidade de “agendar a conexão”.

Isso evitava que o usuário tivesse que acordar de madrugada para conectar à internet, horário que o uso da linha telefônica tinha uma tarifa reduzida.

Opinião de usuários

Durante o auge, o uso dos aplicativos que oferecia prêmios dividia internautas.

Alguns comemoravam os prêmios recebidos.

“Aí pessoal ganhei deles um IPod Touch meu muito loko…”, disse um usuário de um antigo fórum na internet.

No entanto, outros diziam que o valor arrecadado mal pagava a conta telefônica e o consumo de energia elétrica.

O fim dos discadores de internet da Orolix e InteligWeb

O negócio não agradava as operadoras, uma vez que elas precisavam pagar uma tarifa chamada de “interconexão”, de R$ 0,03 por minuto, à quem recebia a chamada, o que representava uma perda de receita para as empresas de telefonia.

Estima-se que ao longo de três anos a Oi teve que pagar cerca de R$ 20 milhões por mês em taxas de interconexão somente para a Intelig, devido ao uso do InteligWeb, por exemplo.

Da mesma forma, a Telefônica (atual Vivo), CTBC (agora Algar Telecom) e Sercomtel também foram afetadas pelos discadores da Orolix e InteligWeb.

Em 2010, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) chegou a condenar a prática.

Em resumo, o órgão alegou que os discadores de internet que premiavam usuários feriam a concorrência.

“Agora que conseguiram fazer um projeto onde o consumidor poderia levar uma vantagem eles ‘as empresas grandes’ querem acabar com tudo”, reclamou um internauta na época.

“Era mais fácil a Oi entrar em acordo com a Intelig para reduzir essa taxa de minuto antes de tomar uma providência como esta”, afirmou outro.

Além disso, aos poucos a internet discada acabou caindo em desuso por conta da popularização do serviço de banda larga fixa, o que acabou levando ao fim dos discadores.

About Hemerson Brandão
Jornalista, gestor e produtor de conteúdo. São 8 anos trabalhando com blogs, revistas, agências e clientes corporativos. Apaixonado por ciência, tecnologia e exploração espacial.
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