segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Questões do setor de telecomunicações para acompanhar em 2019

Decisões foram adiadas em 2018 e tendências começaram a surgir; vamos ficar de olho nessas áreas para ver se seguirão os caminhos previstos.

Muitas decisões do setor de telecomunicações foram adiadas para 2019. Também é interessante observar se as tendências que ganharam força em 2018 irão continuar no ano que vem. 

Veja algumas questões para você ficar de olho no ano que está batendo à porta.

Crescimento da fibra e das operadoras competitivas na banda larga fixa


A fibra óptica (FTTH) liderou o crescimento da banda larga fixa em 2017 com adições líquidas de 2,4 milhões de acessos

De 2017 até novembro de 2018, a participação do FTTH nos acessos de banda larga cresceu de 10,6% para 17,4%.

Este processo deve continuar em 2019, impulsionado pelas operadoras competitivas, que estão implantando redes de fibra em todo o país

As três principais operadoras de banda larga (Claro, Vivo e Oi) perderam market share em 2018 para as prestadoras competitivas. 

Elas devem continuar ganhando market share em 2019, mas Claro, Vivo e Oi já começam a esboçar uma reação.

O avanço das competitivas ocorre não apenas no acesso residencial, como no mercado corporativo, nas redes de longa distância e nos cabos submarinos. 

No mercado corporativo em particular é interessante acompanhar o impacto da oferta de novas soluções como SD-WAN.

Migração do pré-pago para o pós-pago


Como o Minha Operadora mostrou em agosto, o Brasil está encabeçando um movimento na América Latina para levar os clientes dos planos pré-pagos para os planos pós-pago ou controle.

Assim, a base de pré-pago deve continuar encolhendo em 2019, embora em um ritmo menor que nos anos anteriores. 

O pós-pago deve continuar crescendo impulsionado por esta migração e pelo crescimento dos terminais M2M, mas não deve superar o pré-pago em 2019.

5G


Embora só se espere que 5G chegue efetivamente ao Brasil em 2021, a preparação para a chegada desta nova geração de tecnologia móvel deve se acelerar em 2019, conforme a consultoria especializada em telecomunicações Teleco.

A Anatel trabalha na preparação da licitação do espectro de 3,5 GHz para 5G que pode ocorrer no final de 2019 ou em 2020.

Enquanto 5G não chega, as operadoras móveis estão implementando versões mais avançadas de 4G (LTE Advanced e LTE advanced PRO), que permitem a oferta de velocidades mais altas.

5G pode, no entanto, chegar ao Brasil ainda em 2019 na oferta de banda larga fixa, assim como já está funcionando nos Estados Unidos.

Transformação digital


Praticamente todas as operadoras iniciaram um processo de transformação digital em 2018. 

Entre os procedimentos adotados estão a virtualização de funções de rede (NFV), orquestração e unificação das bases de dados de modo a viabilizar no futuro a automatização de processos.

Nas redes de dados, os avanços ocorrem com redes definidas por software (SDN) em aplicações como o SD-WAN.

As operadoras também estão investindo na digitalização do atendimento ao cliente por meio de aplicativos e com a utilização de Bots (agentes digitais). 


Internet das coisas (IoT)


A implementação de soluções de Internet das coisas deve continuar crescendo no Brasil em 2019,  conforme o Teleco.

As áreas que mais devem evoluir são cidades inteligentes, agronegócio, automação industrial e rastreamento de ativos.

A entrada em operação no país das primeiras redes de NB-IoT (Narrow Band IoT) e o avanço da Sigfox devem ajudar a impulsionar estas soluções.

Um fator fundamental para uma utilização massiva de IoT é a eliminação do pagamento de taxas de fiscalização (Fistel) sobre estes dispositivos.

Mudanças no marco regulatório


A expectativa é que o Projeto de Lei Complementar (PLC) 79 seja finalmente aprovado pelo Senado no início de 2019, com a saída de Eunício de Oliveira da presidência. 

Com a nova lei será possível avançar na definição do processo de migração das concessões de telefonia fixa para o regime de autorização durante o ano, viabilizando sua implantação em 2020.

É possível que ocorram mudanças na regulamentação do Fust, com os recursos passando a ser destinados para banda larga e do Fistel, com a isenção desta taxa para IoT.

Destaca-se ainda a revisão do regulamento de qualidade, em fase de aprovação final na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Essa revisão pode levar o país a evoluir da atual abordagem técnica/detalhista para uma abordagem responsiva e orientada ao consumidor.

No campo municipal, vale acompanhar as mudanças nas legislações locais para facilitar a implatação de antenas de celular e redes.

Fusões e aquisições


Ao aprovar a aquisição da Time Warner pela AT&T, a Anatel pode impor restrições que levem à venda da SKY no Brasil.

A definição de novos limites de bandas de frequências (CAPs) para as operadoras móveis deve facilitar a venda da Nextel Brasil para uma das atuais operadoras móveis. 

A TIM manifestou o interesse publicamente, mas a disputa pelo controle da Telecom Itália que travam Vivendi e Eliot pode interferir neste processo.

As negociações para a entrada de um novo investidor na Oi podem ser iniciadas a partir do 2º semestre.

Streaming na TV por Assinatura


A TV por assinatura perdeu cerca de 500 mil assinantes em 2018. A queda no setor deve continuar em 2019.

Para tentar contrabalancear, as operadoras de TV paga estão investindo em streamings de vídeo, como o NOW da NET.

Outras operadoras estão fazendo parceria com streamings já existentes como a Netflix, a Amazon Prime, Crackle (Sony), NetMovies, Globo Play e HBO Go.

A Globo pretende investir pesado no Globo Play em 2019.

Crescimento da receita e da rentabilidade


A receita líquida do conjunto das operadoras de Telecom no Brasil tem crescido menos de 1% nos últimos quatro anos e deve continuar crescendo abaixo da inflação em 2019.

Já a margem EBITDA das operadoras vem crescendo nos últimos anos melhorando a rentabilidade das empresas.

Os esforços de cortes de custos e melhoria da eficiência operacional com a transformação digital devem contribuir para que a margem EBITDA continue aumentando em 2019.



Um comentário:


  1. No caso da Oi:
    * um investidor poderá entrar e mudar o cenário.
    * a Oi e e a TIM poderão se fundir.
    * PLC 79 é de fundamental importancia para a Oi.
    A Oi vai ser o centro das atenções em 2019!

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