“Leis dificultam inovação em telefonia móvel”, diz presidente da Vivo

Da sala de Antonio Carlos Valente, presidente do grupo Telefônica|Vivo no Brasil, no 32º andar do novo prédio da empresa no Brooklin, zona Sul de São Paulo, veem-se, além do vai e vem de aviões no aeroporto de Congonhas, inúmeras gruas.

Para um observador comum, elas remetem apenas ao surgimento de mais prédios no horizonte da maior cidade do país. Mas, para um executivo do setor de telecomunicações, elas são uma boa forma de explicar a complexidade de um sistema que tem 262 milhões de linhas ativas, segundo dados de janeiro divulgados pela Anatel.

“O sistema móvel é vivo e tem que ser ajustado dia a dia, porque as edificações mudam, porque as árvores crescem, porque o tráfego das pessoas aumenta, porque o perfil do tráfego muda”, afirma.

Em paralelo, as operadoras têm observado uma mudança no perfil de uso de serviços por seus clientes. As pessoas querem, cada vez mais, navegar na internet, acessar redes sociais e usar aplicativos em seus celulares. O efeito direto é que isso aumenta o volume de dados trafegados nas redes e a necessidade de aumentar a capacidade.

Com esse pano de fundo, Valente diz que o grande desafio e preocupação do setor é a dificuldade em obter licenças para a instalação de novas antenas nos municípios, devido à variedade e à complexidade de legislações. E defende mais agilidade para mudar leis sobre o tema.

“O tempo para se aprovar uma lei é muito longo. É muito fora do contexto da realidade do crescimento do mercado. Não há como prestar o serviço se não fizer instalações físicas”, alerta Valente.

“Não é problema de investimento. Não é problema de tecnologia. Não é problema de sistema competitivo. Temos que ter percepção que há partes do processo que não estão sob o nosso controle”, completa.

Falando dos planos da companhia para 2013, Valente destaca a intensificação da instalação de fibra óptica, que encerrou o ano passado com 106 mil clientes, além do foco em redes de quarta geração de telefonia móvel, sem tirar os olhos da necessidade de ampliar cobertura e capacidade do serviço de terceira geração. Na avaliação dele, o 3G será, por anos, a solução para acesso a dados no Brasil. A companhia encerrou o ano passado com 3.100 municípios cobertos com o serviço.

Em paralelo, a empresa dará continuidade ao processo de integração que completa um ano em 15 de abril, quando a marca Vivo foi adotada pelo grupo Telefônica para ofertas comerciais.

Valente classifica como bem-sucedido o processo de consolidação da marca e de integração das duas empresas, mas diz que ainda há ações a realizar. Uma delas é a integração de sistemas, que permitirá a oferta de serviços sinérgicos (alguns já foram colocados no mercado) e de uma conta única para o consumidor.

Outro desafio é o de integração de culturas, cujo primeiro passo foi a inauguração da nova sede da empresa, em novembro que, com 47.122 metros quadrados, abriga mais de 5 mil dos 20 mil funcionários do grupo no país.
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