Para teles, futuro das redes locais está na fibra, mas há dificuldades

Do lado da Telefônica, a estratégia passa pelo FTTx, assim como na Oi, onde a decisão é por implementar uma rede de acesso em fibra. No caso da Embratel, a aposta é na evolução da sua rede legada para Metro Ethernet e no acesso com redes HFC da Net Serviços.

Segundo Luiz Fernando Bourdot, gerente de engenharia de redes de acesso corporativo da Embratel, a implantação de uma rede Metro Ethernet sobre uma rede legada de fibras para SDH, por exemplo, é uma excelente maneira de aproveitar a infraestrutura existente e reduzir investimentos. Outra estratégia da Embratel, diz ele, tem sido a de criar células na rede de acesso óptica de modo a garantir que as redes de fibra estejam cada vez mais perto do usuário final.
A Embratel acredita também na rede híbrida fibra-coaxial (HFC), hoje operada pela Net Serviços, como forma de reforçar sua infraestrutura de acesso. “A rede HFC tem um fôlego muito grande ainda, pois sua capacidade é maior do que os produtos demandados pelo mercado. E o custo de implantação, comparado a uma rede FTTX, é muito mais baixo”, diz Bourdot. Ele acredita também na complementaridade das duas soluções e que “certos mercados demandarão serviços mais avançados, que necessitarão de fibra”. “Mas a rede HFC é uma forma de evoluir, pois é flexível para se tornar uma rede ‘fiber-to-cada vez mais perto do assinante’”, brincou.
Além disso, segundo Bourdot, o padrão de transmissão de dados em redes de cabo Docsis 3.0, ainda pouco utilizado no Brasil, pode atingir taxas de até 100 Mbps. “Sem investimento significativo, é possível explorar bastante ainda esse mercado”.
Já a Telefônica aposta na fibra em sua rede, mas também mostra cautela na rede de acesso. “O FTTx está no nosso mapa, mas o FTTH de forma massiva ainda está um pouco distante”, revela Átila Araújo Branco, diretor de planejamento técnico da Vivo/Telefônica. A operadora investe bastante em FTTH, tem 50 mil clientes e planeja ter 1 milhão de assinantes desse serviço até 2015. Mas, segundo Branco, com uma estratégia também voltada à demanda. “Nos locais onde não tivermos tanta demanda, o crescimento da fibra será voltado para a construção do backhaul móvel e fixo. Num futuro, tecnologicamente prevemos o splitamento para FTTH, mas aí será uma decisão de negócios”, explica.
Tanto a Embratel quanto a Telefônica, contudo, apontam como maiores desafios para a evolução das redes ópticas a carência de mão de obra e a falta de padronização entre as soluções de G-PON existentes hoje, em que cada vendor tem uma solução proprietária. “O problema de padronização é especialmente sério quando precisamos desenvolver uma plataforma de gestÃo da rede ou planejamento de serviços”, diz Bourdot.
Com a consolidação de quase todos os serviços de telecomunicações no Brasil em praticamente quatro grandes grupos, outro tema que ganhou relevância no painel foi a convergência das infraestruturas. Para a Embratel, esse assunto ainda é incipiente, até por uma questão estratégica. “As possibilidades de sinergia entre Net, Claro e Embratel são muito grandes, mas o modelo existente é o de prestação de serviços. A Net oferece acesso à última milha para clientes Embratel, a Claro disponibiliza os e-nodes B, a Embratel provê conectividade… enfim há uma sinergia, mas não ainda uma integração das redes”, admite Bourdot.
Para Luis Lopes, diretor de planejamento de redes da Oi, o caminho que será tomado pela operadora é, em princípio, o de levar a fibra até o mais próximo da casa do usuário. “Estamos hoje planejando um FTTx, o que não quer dizer que não possamos avaliar outras possibilidades no futuro”.
Já a Vivo/Telefônica garante estar trabalhando a todo o vapor na integração de redes e sistemas. “Estamos há um ano nessa integração, com uma equipe única cuidando das duas redes, fazendo a integração de soluções de próxima geração (NGN) e (plataforma de gerenciamento de serviços) IMS”, revela o diretor tele. “Porém, não deixamos a rede legada para trás. Continuaremos investindo em modernização, em VDSL, bonding, vectoring e evoluções da capacidade da rede de acordo com a demanda”.
A plataforma de gerenciamento de multisserviço IMS, necessária para a gestão e aprovisionamento no core da rede dos diferentes serviços IP que trafegam na rede foi um tema bem discutido nos debates. Se para a Vivo/Telefônica e Oi a tecnologia está em fase de implementação, para a Embratel está no radar de maneira muito tímida. “Nossa estratégia de implantação do IMS é bastante conservadora, no sentido de expandir a rede NGN e prepará-la para novos serviços. Temos algo em laboratório, onde fazemos testes, e alguma coisa bem pequena em operação, mas não esperem nada muito inovador”, disse Rene Pestre Filho, diretor de engenharia da Embratel, que completou: “Estamos atrasados, é verdade. É uma confusão danada, várias plataformas separadas (Embratel, Net, Claro), mas não preciso implantar uma solução IMS completa. Vários serviços convergentes são oferecidos sem uma plataforma única de gerenciamento. Posso fazer uma expansão do NGN utilizando padrões do IMS, como protocolos SIP, controladores de media gateways compatíveis”, exemplifica.
A Oi, por sua vez, éa operadora que está mais avançada na implantação de um core IMS. Segundo Mauro Fukuda, diretor de tecnologias de rede da Oi, o IMS, apesar de ter sido rejeitado por muitos anos em todo o mundo por ser complicado e caro, começa a fazer sistema quando se pensa na rede 4G e no LTE, que é uma tecnologai all IP. “Não temos muita opção de evolução do core das redes que não passe pela camada de controle IMS”.


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