sábado, 31 de agosto de 2013

Lucro operacional da GVT recua 12,1% no primeiro semestre do ano

O que você achou? 
A desaceleração da economia brasileira, a desvalorização do Real e a maior concorrência no setor impactaram no lucro operacional ajustado da GVT do segundo trimestre de 2013, que fechou junho em 97 milhões de euros, resultado 9,3% inferior ao registrado entre abril e junho de 2012 (de 107 milhões de euros).

Desconsiderando-se a variação cambial da moeda brasileira, a queda teria sido menor: de 2,1%. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o recuo anual no lucro operacional ajustado foi de 12,1%, para 196 milhões de euros, e teria sido de 2,6% sem a desvalorização do Real.

De acordo com o CFO da controladora francesa Vivendi, Philippe Capron, em teleconferência de resultados, o lucro operacional ajustado da GVT também foi impactado pela aceleração na depreciação do negócio de TV por assinatura.

Houve também desaceleração nas receitas, mas ainda assim a subsidiária brasileira da Vivendi obteve crescimento de 5,9% no trimestre e de 3,6% no semestre de 2013 em relação a 2012, somando 446 milhões de euros e 884 milhões de euros, respectivamente. Sabe-se que a GVT aoptou por ser menos agressiva em suas ações de venda desde o começo do ano, o que pode ter pesado nas receitas.

A geração de caixa da GVT entre janeiro e junho de 2013, medida pelo EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), somou 354 milhões, alta de 2,3% em relação a igual período do ano passado. A margem EBITDA recuou 0,6 ponto percentual no mesmo período, para 40%.

Diante dos desafios do cenário brasileiro, a Vivendi revisou o guidence de crescimento das receitas da GVT para 2013. "A piora econômica no Brasil foi pior do que antecipamos e estamos reajustando os guidances para 2013 de crescimento da receita para 15%, o que já é um crescimento muito bom", comentou Capron. A previsão anterior era de alta 20% para o ano.

"Estamos revisando para baixo a previsão de crescimento, mas, ao mesmo tempo, estamos aumentando a previsão para a margem EBITDA para mais de 40%. Vamos ser mais lucrativos e o segundo semestre será melhor. Continuamos a investir e tomar share dos nossos competidores.

Estamos entrando em São Paulo e é claro que temos que investir bastante antes de ganhar tração de crescimento devido ao tamanho da cidade. Vamos crescer mesmo que a economia brasileira não esteja das melhores e que nossos competidores continuem cortando preço pra reagir a nossa entrada no mercado", garante o CEO da Vivendi, Jean-François Dubos.

A GVT fechou junho com 146 cidades cobertas e 9,176 milhões de linhas em serviço, incluindo telefonia e banda larga, alta anual de 23,8%. O serviço de TV por assinatura, por sua vez, somou 508 mil acessos em 30 de junho, o que representa uma penetração de 22% entre os assinantes de banda larga da operadora e receitas de 81 milhões de euros no primeiro semestre do ano. Na banda larga, 49,3% da base de clients têm velocidades de 15 Mbps ou superior. Um ano antes, esse percentual era de 40,7%.

Além da piora no cenário brasileiro, os resultados da Vivendi também foram pressionados por sua operadora doméstica, a SFR, que enfrenta grande competição por preços no mercado móvel francês.

As receitas consolidadas da Vivendi caíram 1,5% no primeiro semestre de 2013 na comparação anual com igual período do ano passado, para 10,842 bilhões de euros. O EBITDA recuou 13,7%, para 2,546 bilhões de euros, e o lucro operacional ajustado (que desconsidera as operações descontinuadas Activision Blizzard e Maroc Telecom) recuou 27%, para 1,391 bilhão de euros. O lucro líquido ajustado do grupo caiu 25%, para 845 milhões de euros.

Segundo Dubos, a Vivendi "está no caminho certo para voltar a criar valor para seus acionistas e restaurar a flexibilidade financeira do grupo" após a venda de 85% das ações que detinha na Blizzard por US$ 8,2 bilhões (que deve ser concluída ainda em setembro) e a venda da participação de 53% na Maroc Telecom para a Etilasat por 4,2 bilhões de euros (até o fim do ano)".

O CEO cita ainda um acordo entre a SFR e a operadora francesa Bouygues Telecom para compartilhamento de redes móveis, que deve ser assinado até o final do ano. "Estamos vivendo uma transformação estratégica nos últimos seis meses e temos ainda as 83 milhões de ações restantes no negócio de videogame (Blizzard) que em valores de mercado valem cerca de US$ 1,3 bilhões e que ainda podemos vender", pontua Dubos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário