Reprodução/ChatGPT

CEO da Brisanet alerta para blackout de internet nas zonas rurais até 2030

Cristino Melo
6 min de leitura

O Brasil pode enfrentar um blackout de internet nas zonas rurais, estradas e distritos do interior até 2030 se as redes fixas e móveis não receberem investimentos em atualização. O alerta foi feito pelo CEO da Brisanet, José Roberto Nogueira, durante painel da Futurecom 2026, evento do setor de telecomunicações realizado em São Paulo nesta terça-feira (6).

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Segundo o executivo, o problema nasce do descompasso entre o crescimento do tráfego de dados, puxado por aplicações como a inteligência artificial, e a capacidade financeira dos pequenos provedores que levaram conectividade ao interior. Com margens apertadas pela forte competição e pelo baixo poder aquisitivo dos clientes, muitas dessas empresas não conseguem modernizar suas redes.

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A EXPANSÃO DO INTERIOR CHEGOU AO LIMITE

Na última década, o país viveu uma intensa expansão das redes de banda larga fixa e móvel por cidades pequenas, boa parte dela feita por provedores regionais. Para Nogueira, porém, o modelo que sustentou esse avanço está perto do esgotamento. “Hoje estamos no auge, com excesso de competição. Mas haverá um blackout da banda larga fixa em áreas rurais e na móvel em distritos, estradas e áreas rurais, se não houver investimento”, previu.

O CEO da Brisanet também projetou um cenário de colapso da infraestrutura nas localidades mais remotas caso nada mude. “Em 2030, poderemos ter um buraco negro de conectividade de alta performance. Com o avanço da IA, o 4G vai ser o 2G de hoje”, afirmou. Na avaliação dele, os próximos anos devem trazer um forte filtro entre as empresas que atuam no setor.

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CONSUMIDOR MAIS EXIGENTE PRESSIONA AS REDES

Além do aumento do tráfego, Nogueira apontou a mudança de comportamento do usuário como um fator decisivo. “O cliente de dez anos atrás aceitava ficar algumas horas sem internet. Mas hoje o consumidor está muito mais exigente”, disse. Para ele, só as operadoras que mantiverem as redes atualizadas vão continuar competitivas, já que o próprio consumidor fará essa seleção natural do mercado.

O executivo reforçou que a modernização exige aportes contínuos e elevados. “Daqui a três anos o serviço precisará ser muito superior ao de hoje. É um investimento contínuo. Quem não fizer isso estará fora do mercado”, advertiu. Ele ainda defendeu que só é possível investir em rede cobrando um preço razoável pela banda larga, o que vai contra a estratégia de parte dos pequenos provedores, que competem por meio de preços baixos.

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JUROS ALTOS TRAVAM A MODERNIZAÇÃO

No mesmo painel, o CEO da Vero, Fabiano Ferreira, afirmou que as altas taxas de juros prejudicam o investimento constante que o setor de telecomunicações exige. Por isso, ele defendeu a criação de linhas de crédito específicas para redes de telecom, data centers e novos serviços, além de citar o Refibra, projeto ainda em elaboração com incentivos para redes de fibra óptica, como um estímulo à modernização.

Já o CEO da Brasil TecPar, Gustavo Stock, avaliou que o avanço do letramento digital pode ajudar a população a usar melhor a infraestrutura que já existe. O executivo também defendeu o compartilhamento de redes entre as empresas do setor como forma de “racionalizar os custos e crescer”, abordagem que pode reduzir a pressão financeira sobre provedores que atuam em mercados menores.

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PROPOSTAS PARA EVITAR O APAGÃO

Para evitar o apagão de conectividade no interior, os executivos presentes no painel da Futurecom 2026 apresentaram caminhos que combinam financiamento, atualização tecnológica e mudanças na estrutura do mercado. Confira as principais propostas defendidas por Brisanet, Vero e Brasil TecPar para garantir que as redes do interior acompanhem a demanda por dados nos próximos anos:

  • Crédito subsidiado de longo prazo para investimentos em áreas remotas (Brisanet)
  • Adoção do 5G nos novos compromissos de cobertura (Brisanet)
  • Reestruturação e consolidação dos pequenos provedores em cidades pequenas (Brisanet)
  • Linhas de crédito específicas para telecom e data centers, além do Refibra (Vero)
  • Compartilhamento de infraestrutura e incentivo ao letramento digital (Brasil TecPar)
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