A Verizon protocolou na FCC um pedido de licença experimental para iniciar teste de tecnologias que servem de base para o 6G, usando a faixa de 4,8 GHz a 4,9 GHz. A operadora americana pretende rodar os experimentos por um ano, dentro e ao redor de seu laboratório em Los Angeles, com equipamentos de rede fornecidos pela sueca Ericsson e pela sul-coreana Samsung.
Nos documentos enviados ao regulador, a companhia aparece sob o nome Cellco Partnership e argumenta que o uso do espectro atende ao interesse público. O objetivo declarado é demonstrar aplicações de 5G avançado, como o sensoriamento de objetos, tratado como um passo anterior ao ISAC, a integração entre comunicação e sensoriamento que deve marcar a próxima geração de redes móveis.
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COMO SERÁ O TESTE NA PRÁTICA
A autorização ainda depende de análise, mas a expectativa no setor é de aprovação rápida. Segundo o consultor de engenharia sem fio Steve Crowley, responsável por identificar o pedido nos arquivos do regulador, a licença deve ser concedida em breve “se não houver preocupações significativas” por parte da FCC. Veja como a operadora pretende montar a estrutura de testes:
| Item | Detalhe do pedido |
|---|---|
| Faixa solicitada | 4,8 GHz a 4,9 GHz |
| Duração da licença | Um ano, em caráter temporário |
| Local | Laboratório da Verizon em Los Angeles |
| Alcance | Raio de cinco quilômetros |
| Tipo de rede | Privativa e separada das redes comerciais |
| Equipamentos | Rádios da Ericsson instalados em ambiente externo |
| Parceiros | Ericsson e Samsung |
| Aplicação | Sensoriamento de objetos como precursor do ISAC |
FAIXA DE 4 GHZ NO RADAR DOS EUA
A faixa de 4,8 GHz a 4,9 GHz faz parte do bloco de 4,4 GHz que a NTIA colocou sob estudo para eventual uso comercial licenciado nos Estados Unidos. Crowley aponta que a Verizon é uma das primeiras a pedir licença de teste nessa faixa com foco declarado em 6G e que esta é a primeira vez que a operadora solicita autorização em alguma das frequências em avaliação, que incluem ainda 1,6 GHz, 2,7 GHz e 7 GHz.
Outros pedidos envolvendo o intervalo de 4,4 GHz a 4,9 GHz já foram concedidos neste ano, mas voltados a tecnologias de drones e sem ligação direta com a nova geração de redes. A Samsung Research America também solicitou licença experimental para usar de 4720 MHz a 4820 MHz em Plano, no Texas, embora sem detalhar quais aplicações pretende avaliar na região.

A CTIA, associação que representa o setor móvel nos Estados Unidos, chama o bloco de faixa de 4 GHz e publicou um relatório defendendo a destinação comercial do espectro. A entidade classifica a faixa como uma peça central do funil de frequências do país, ao lado da parte superior da banda C, de 2,7 GHz e de 7 GHz, por oferecer até 400 MHz de banda e já contar com equipamentos compatíveis.
O grupo também apresenta a faixa como alternativa à pressão da China pelo uso licenciado da banda de 6 GHz, tema que deve dominar as negociações da Conferência Mundial de Radiocomunicações da UIT no ano que vem. A recomendação é que os formuladores de políticas acelerem os estudos ainda neste semestre para não perder espaço na disputa internacional por espectro.
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VITRINE NA OLIMPÍADA DE 2028
Os experimentos em Los Angeles se somam a outras iniciativas de sensoriamento que a operadora vem conduzindo com a rede 5G atual, quase sempre em parceria com fabricantes que já integram seu grupo de inovação. As demonstrações mais recentes ajudam a entender o caminho que a empresa pretende seguir até a chegada da sexta geração. Acompanhe a sequência:
- Medição de público em Dallas. Em parceria com a Samsung, a Verizon detectou a densidade de torcedores durante um evento de futebol no verão americano, usando apenas a rede 5G já instalada.
- Rastreamento de drones. Um segundo teste, desta vez com a Qualcomm, avaliou o monitoramento e a segurança de aeronaves não tripuladas sobre a rede móvel.
- Sensoriamento na faixa de 4 GHz. É a etapa pendente de autorização, que levaria os experimentos para o espectro apontado como caminho para o 6G.
- Demonstração olímpica. O destino final do trabalho é a vitrine dos Jogos de 2028, na própria Los Angeles.
A Verizon também se inscreveu no programa Mission 6G 28, da NTIA, que pretende exibir tecnologias de sexta geração durante os Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles. A agência recebeu 28 cartas de intenção de empresas interessadas em apoiar a iniciativa e deve anunciar em março de 2027 quais demonstrações serão efetivamente realizadas durante a competição.
Para a operadora, a Olimpíada funciona como o campo de provas definitivo antes da chegada comercial do 6G. O pedido de uso da faixa de 4 GHz justamente na cidade que vai sediar os jogos aparece, nesse contexto, como parte da preparação técnica e regulatória da companhia, que precisa deixar equipamentos e opções de espectro em ordem antes da abertura do evento.
NOVOS NOMES NO FÓRUM DE 6G
O Fórum de Inovação em 6G mantido pela Verizon ganhou nove novos integrantes nesta semana, entre fabricantes de chips, empresas de infraestrutura de rede e companhias especializadas em medição e segurança de redes. Eles se juntam aos membros fundadores do grupo, formado por Ericsson, Samsung, Nokia, Meta e Qualcomm Technologies. Veja quem entrou no fórum:
- Amazon Web Services (AWS)
- Cisco
- Intel
- Keysight Technologies
- MediaTek
- Nvidia
- Palo Alto Networks
- Rohde & Schwarz
- Viavi Solutions
Com o reforço, o fórum sinalizou a intenção de avaliar mais aplicações em áreas como ISAC, gêmeos digitais, robótica, inteligência artificial e dispositivos vestíveis. O movimento reforça a estratégia de chegar à próxima geração com casos de uso já testados em campo, e não apenas com a promessa de uma velocidade de conexão maior para o usuário final.












