Divulgação/SpaceX

Starlink V3 chega com 10x mais velocidade e promete virar o jogo

Cristino Melo
6 min de leitura

A SpaceX vai usar o próximo voo de teste da Starship para colocar em órbita os 26 primeiros satélites Starlink V3, geração de alta capacidade que promete ampliar a oferta de banda larga via satélite. O lançamento está marcado para 22 de setembro, com janela de 75 minutos que abre às 7h15 no horário CDT, e ainda depende de aval regulatório nos Estados Unidos.

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Será a primeira vez que o modelo V3 alcança a órbita e entra em operação dentro da constelação. Em julho, no 13º voo de teste, 20 unidades foram liberadas em trajetória suborbital apenas para checagens de velocidade e se desintegraram na atmosfera cerca de 20 minutos depois. Agora, a carga combinada soma cerca de 26 Tbit/s de capacidade, segundo a empresa.

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Cada satélite V3 entrega aproximadamente 1 Tbit/s de downlink e 160 Gbit/s de uplink, além de mais de 2 mil feixes de transmissão e recepção. Na comparação com o V2, hoje a base da constelação, o salto é de 10 vezes na descida de dados e de 22 vezes na subida. O ganho se soma a outros ajustes na operação que podem turbinar a cobertura da rede, enquanto o crescimento do serviço segue amarrado ao ritmo dos lançamentos da Starship.

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NÚMEROS DO NOVO SATÉLITE

  • Downlink: cerca de 1 Tbit/s por satélite
  • Uplink: 160 Gbit/s por satélite
  • Feixes: mais de 2 mil de transmissão e recepção
  • Ganho sobre o V2: 10 vezes no downlink e 22 vezes no uplink
  • Carga do voo 14: 26 satélites e cerca de 26 Tbit/s no total

Em escala, a nova geração deve reforçar a largura de banda disponível e sustentar mais usuários simultâneos, ampliando a distância do Starlink para a Amazon Leo e para a Eutelsat, que prepara um aporte bilionário para tentar virar o jogo. A empresa também ganha margem para estender o acesso a áreas mais densas, embora analistas ainda enxerguem o serviço como mais adequado a mercados de baixa densidade populacional.

A tecnologia embarcada no V3 também serve de base para os satélites de segunda geração do Starlink Mobile e para o serviço direto ao dispositivo (D2D) de próxima geração, que vai usar espectro comprado da EchoStar. Outros países correm por alternativas próprias, caso da constelação de banda larga que a Rússia quer colocar no ar, em um mercado que depende de faixas licenciadas e de acordos comerciais.

TESTE DECISIVO PARA A STARSHIP

Antes de virar rotina comercial, o V3 precisa sobreviver ao teste do foguete. “O voo 14 é o primeiro momento em que a Starship pode começar a somar capacidade de banda larga utilizável, em vez de apenas provar o veículo”, escreveram analistas da Evercore ISI em relatório. Para eles, uma inserção orbital bem-sucedida seria o primeiro sinal concreto do próximo estágio da expansão.

A missão também é decisiva para o próprio veículo. Pela primeira vez, o estágio superior da Starship deve chegar à órbita, voando a cerca de 275 quilômetros de altitude e completando seis voltas ao redor da Terra em quase dez horas, antes de uma reentrada controlada e amerissagem no Pacífico, a oeste do Chile. O propulsor fará uma queima de pouso no Golfo do México.

RUMO AO REUSO TOTAL

A meta de longo prazo é transformar a Starship em um veículo totalmente reutilizável. Se o voo 14 der certo, a empresa tentará capturar o estágio superior com os braços da torre de lançamento no teste seguinte, algo que Elon Musk estima ter entre 50% e 60% de chance de funcionar já na primeira tentativa, segundo declarações dadas durante o All-In Summit.

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O propulsor já foi reaproveitado em voos anteriores, mas a reutilização do conjunto completo deve ficar para o fim deste ano ou, mais provavelmente, para o início do ano que vem. “Assim que conseguirmos revoar a nave, teremos feito o primeiro foguete orbital totalmente reutilizável”, afirmou Musk, que compara o objetivo ao reuso rápido de uma aeronave comercial.

O plano da empresa vai além da banda larga residencial. A Starship também deve servir a missões para a Lua e para Marte e ao lançamento dos satélites de data center com inteligência artificial batizados de Starmind. A presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, afirmou que a companhia segue no cronograma para começar a lançar satélites de computação orbital em 2027.

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