Imagem: Midjourney/Reprodução

Oi poderá demitir funcionários, mas sindicatos impõem condições

Um plano de controle entregue à Justiça prevê desligamentos entre agosto e setembro, mas ainda precisa ser aprovado.

Goodanderson Gomes
4 min de leitura

Representantes do administrador judicial da Oi, Bruno Rezende, e as federações Fitratelp, Livre e Fenattel conversaram e definiram os termos das demissões que serão realizadas pela operadora.

- Publicidade -

Conforme noticiamos no final de julho, a Oi pediu à Justiça a anuência para fazer demissões de trabalhadores em cargos não essenciais. Porém, a questão central é que a tele não pode arcar com custos trabalhistas no momento, o que causaria um impasse.

Por esse motivo, a administração judicial aceitou se reunir com as federações que representam esses trabalhadores. Para que tenha validade, o acordo entre as partes deve ser autorizado pela 7ª Vara Empresarial da Justiça do Rio de Janeiro, sob os cuidados da juíza Simone Gastesi Chevrand.

- Publicidade -

Os pedidos feitos pelas federações

As federações que representam os trabalhadores futuramente demitidos pela Oi alegam que há medo de calote por parte da operadora.

Em nota conjunta, as entidades ratificaram o interesse único de garantir o pagamento dos direitos trabalhistas de seus representados, uma vez que a manutenção dos empregos é insustentável devido à situação da Oi.

- Publicidade -

“A chancela judicial é considerada fundamental pelas entidades sindicais para afastar o risco de calote, vinculando juridicamente a empresa ao cumprimento rigoroso dos prazos e garantindo que o pagamento dos valores devidos ocorra de forma socialmente responsável”, disseram as federações.

O que ficou acordado?

Na conversa entre sindicatos e representantes da Oi, os seguintes termos ficaram acertados:

  • A multa residual de 40% do FGTS passa a adotar critério progressivo conforme a remuneração. A quitação total ocorre em um prazo de 1 a 4 meses pós-demissão.
  • Fica vedada a retenção de saldos de vale-alimentação/refeição no acerto final, mantendo-se exclusivamente a cobrança da taxa de coparticipação proporcional.
  • O saldo salarial, aviso prévio, férias e 13º proporcional são quitados em parcelas mensais iniciando 30 dias após a saída. Teto salarial de R$ 5.000,00 permite divisão em até 6 vezes; valores superiores podem ser divididos em até 10 vezes.
  • O plano de saúde do funcionário permanece ativo por 90 dias após o encerramento do contrato.

Agora, esses termos pactuados seguem para validação, ou não, da juíza Simone Chevrand. Além disso, as federações devem realizar, em caráter imediato, uma assembleia geral para discutir o acerto.

A Oi pretende iniciar a rodada de demissões depois de amanhã, no dia 7 de agosto.

O abismo financeiro em que se encontra a Oi

Toda essa questão com as demissões planejadas é mais um capítulo do grave abismo financeiro em que a Oi está.

O plano para demitir e pagar direitos depois faz parte de uma estratégia da administração judicial da tele, que quer evitar a paralisação dos serviços, prevista para o próximo dia 10 de agosto, por falta de caixa suficiente.

- Publicidade -

Recentemente, inclusive, a Oi obteve uma vitória nesse sentido, com a Justiça obrigando a Método Telecom a pagar à vista a compra da divisão de telefonia fixa da operadora, fechada em R$ 60,1 milhões.

Agora, a antiga maior operadora do país tenta agilizar a venda da Oi Soluções e, com o dinheiro apurado, pagar dívidas.

Compartilhar este artigo
Se inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais antigo
Mais recente Mais Votados