Reprodução/ChatGPT

Sindicatos anunciam mobilização nacional em defesa de trabalhadores da Oi

Cristino Melo
5 min de leitura

Sindicatos de trabalhadores do setor de telecomunicações anunciaram, na última sexta-feira (24), uma mobilização nacional em defesa dos empregados da Oi diante do acirramento da crise na companhia. A medida foi divulgada em carta conjunta pelas federações Fenattel, Fitratelp e Fitt/Livre, que repudiaram o que classificaram como um vácuo gerencial na operadora e cobraram providências urgentes das autoridades.

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O documento foi publicado logo após a Oi pedir à Justiça do Rio de Janeiro, ainda nesta semana, autorização para demitir parte do quadro de colaboradores sem o pagamento imediato das verbas rescisórias devidas. A companhia alega que o caixa disponível deve se esgotar a partir de 10 de agosto, o que motivou a reação imediata das entidades e a organização de atos de protesto em diferentes frentes.

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PEDIDO DE DEMISSÃO SEM PAGAMENTO

Segundo petição enviada à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, a administração da recuperação judicial da Oi afirma que o patrimônio líquido negativo do grupo já supera R$ 22,6 bilhões, com referência a março de 2026 e projeção de novo agravamento nos próximos meses. A previsão de caixa para o fim de julho, que era de R$ 88,1 milhões segundo o fluxo projetado em abril, caiu para apenas R$ 19,6 milhões.

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Diante desse cenário, a gestão judicial pediu a liberação imediata de R$ 27,4 milhões e solicitou que o pagamento das rescisões seja adiado para o momento em que houver um evento de liquidez futuro, como a venda das unidades V.tal ou Oi Soluções. Na petição, a administração judicial classifica a situação financeira das Recuperandas como de extrema gravidade, com sacrifícios extremos no pagamento de fornecedores e da folha de pessoal.

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RISCO PARA SERVIÇOS ESSENCIAIS

Em ofício à Justiça, a Oi alertou que a paralisação de suas operações pode comprometer serviços considerados essenciais em todo o país. Entre os setores citados pela companhia estão:

  1. Eleições 2026, com risco à transmissão de dados entre zonas eleitorais em centenas de municípios
  2. Poder Judiciário, com possível interrupção de sistemas processuais eletrônicos em diversas comarcas
  3. Casas lotéricas, usadas no pagamento de benefícios sociais como o Bolsa Família
  4. Telefonia fixa, ainda operada pela Oi até a conclusão da venda para outra empresa
  5. Prefeituras que dependem da infraestrutura da operadora para serviços administrativos

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TEMOR COM EX-FUNCIONÁRIOS DA SEREDE

As federações também cobram uma solução definitiva para os cerca de cinco mil ex-funcionários da Serede, subsidiária de serviços de campo da Oi cujo quadro foi demitido no fim de 2025 sem o pagamento de direitos trabalhistas. João de Moura Neto, presidente da Fitratelp, afirma que a Justiça repetiria o mesmo erro cometido com a Serede caso aceite o novo pedido de demissões da operadora.

Os recursos da Oi tinham de ser usados para acertar as dívidas trabalhistas, desabafou o sindicalista. As entidades também reclamam que trabalhadores pertencentes ao mesmo grupo econômico recebem tratamento distinto em processos judiciais fragmentados, o que amplia a sensação de insegurança entre os empregados da companhia e reforça o pedido por uma resposta rápida da Justiça.

Imagem: Midjourney/Reprodução

PRESSÃO SOBRE GOVERNO E JUSTIÇA

Além da mobilização nacional, as federações organizam um ato em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que supervisiona a recuperação judicial da Oi, somado a uma manifestação virtual que deve reunir sindicatos de trabalhadores de telecom de todo o país. O objetivo é sensibilizar o Judiciário, o Governo Federal e o Congresso Nacional sobre a gravidade da crise enfrentada pela operadora.

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As entidades voltaram a defender a criação de uma mesa interministerial de crise, reunindo Casa Civil, Advocacia-Geral da União, Anatel e os ministérios das Comunicações e do Trabalho para discutir o futuro da companhia. As Federações permanecerão mobilizadas até que seja construída uma solução equilibrada, socialmente justa e compatível com a importância estratégica da Oi para o País, conclui a carta.

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