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Vendas de smartphones na América Latina superam projeções

Cristino Melo
6 min de leitura

As vendas de smartphones na América Latina surpreenderam positivamente no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo dados da consultoria Omdia, a região comercializou 34,8 milhões de unidades entre janeiro e março, ante 33,7 milhões no 1T25, resultado acima das expectativas do mercado.

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O desempenho foi impulsionado pela acumulação antecipada de estoques pelos canais de distribuição, pela simplificação de portfólios por parte dos fabricantes e pelo adiamento do repasse dos custos crescentes de memória DRAM e NAND ao consumidor final. Operadoras e varejistas agiram estrategicamente para garantir disponibilidade nas prateleiras e estabilidade de preços.

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SAMSUNG E XIAOMI LIDERAM O RANKING REGIONAL

O ranking de fabricantes no 1T26 revela movimentos relevantes em todas as posições, com destaque para a liderança consolidada da Samsung e o avanço acelerado de HONOR e Apple:

FabricanteEmbarques 1T26Market Share 1T26Crescimento anual
Samsung12,9 mi37%+9%
Xiaomi6,0 mi17%+3%
Motorola4,9 mi14%-5%
HONOR3,4 mi10%+30%
Apple1,8 mi5%+31%
Outros5,8 mi16%-16%
Total34,8 mi100%+3%

Fonte: Omdia Smartphone Horizon Service (sell-in shipments), maio de 2026. Estimativas da Xiaomi incluem as submarcas POCO e Redmi. TRANSSION inclui TECNO, Infinix e itel. OPPO inclui OnePlus e realme.

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A Samsung manteve a liderança com 37% de participação, o maior índice trimestral desde o 1T23, impulsionada pelos modelos da linha A nos segmentos de entrada e médio-alto. A Xiaomi registrou seu sexto trimestre consecutivo de crescimento, beneficiada por ganhos na América Central e no Peru. Já a HONOR e a Apple foram os destaques positivos, com altas de 30% e 31%, respectivamente, enquanto Motorola e o grupo “Outros” recuaram.

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OS CINCO MAIORES MERCADOS CONCENTRAM 73% DOS EMBARQUES

A distribuição do mercado por país revela dinâmicas bastante distintas entre as praças da região, com lideranças variando conforme o perfil de renda e a penetração de cada fabricante:

🇧🇷 Brasil

  1. Samsung — 46%
  2. Motorola — 21%
  3. Xiaomi — 15%
  4. OPPO — 8%
  5. Apple — 5%

🇲🇽 México

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  1. Samsung — 25%
  2. Xiaomi — 17%
  3. Apple — 16%
  4. Motorola — 13%
  5. HONOR — 9%

América Central

  1. Samsung — 35%
  2. HONOR — 24%
  3. Xiaomi — 17%
  4. TRANSSION — 9%
  5. Motorola — 7%

🇨🇴 Colômbia

  1. Xiaomi — 32%
  2. Samsung — 22%
  3. TRANSSION — 12%
  4. Motorola — 11%
  5. HONOR — 8%

🇵🇪 Peru

  1. Xiaomi — 28%
  2. Samsung — 25%
  3. Motorola — 12%
  4. HONOR — 11%
  5. ZTE — 9%

Juntos, os cinco maiores mercados da região responderam por 73% dos embarques totais no trimestre. O Brasil se destaca pela dominância da Samsung, com 46% de participação, enquanto Colômbia e Peru têm a Xiaomi no topo. O México chama atenção pela forte presença da Apple na terceira posição, reflexo do poder aquisitivo mais elevado e da afinidade cultural com a marca naquele país.

Imagem: Shutterstock/reprodução

ALERTA PARA O SEGUNDO SEMESTRE DE 2026

Apesar do resultado positivo no início do ano, a Omdia alerta para um cenário mais desafiador nos próximos meses. Segundo Miguel Ángel Pérez, analista sênior da consultoria, a pressão sobre os custos de memória RAM e armazenamento ainda não havia se refletido nos preços médios de venda no primeiro trimestre, mas o impacto será sentido com mais clareza a partir do segundo semestre.

Para o segundo trimestre, a Omdia projeta normalização dos estoques e repasse gradual dos custos de memória ao consumidor, o que deve resultar em preços de varejo mais altos e desaceleração nas vendas. No segundo semestre, a combinação de custos elevados de componentes com incertezas macroeconômicas pode pressionar ainda mais a demanda, com potencial de estender a contração até o primeiro semestre de 2027.

A gestão ativa dos riscos cambiais e de custos, com planejamento por cenários, será determinante para atravessar o período de forma sustentável. O cenário contrasta com o da Ásia Sudeste, onde o mercado de smartphones recuou 9% no mesmo período, segundo outro relatório da Omdia, com marcas priorizando margem por aparelho em detrimento do volume de vendas, movimento que a América Latina ainda busca evitar.

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