Imagem: Shutterstock/Reprodução

Milhões de pessoas estão desinstalando o ChatGPT ao mesmo tempo; mas por quê?

Esse comportamento, observado nos Estados Unidos pela consultoria Sensor Tower, colocou a OpenAI em alerta.

Goodanderson Gomes
5 min de leitura

De acordo com dados levantados pela consultoria Sensor Tower, especializada em aplicações móveis e economia digital, o ChatGPT tem perdido milhões de usuários nos últimos dias. O comportamento, observado nos Estados Unidos, acendeu o alerta vermelho na OpenAI, empresa responsável pelo chatbot inteligente.

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Para se ter uma ideia, apenas no último final de semana, que marcou o final de fevereiro e começo de março, foi registrada uma taxa de 295% de desinstalações do ChatGPT em comparação com os dias imediatamente anteriores.

Ao que parece, o comportamento em massa tem a ver com o acordo de cooperação fechado entre a OpenAI e o Departamento de Guerra dos EUA, celebrado em 27 de fevereiro e anunciado no dia seguinte.

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No mesmo período levantado pela Sensor Tower, o Claude, IA da Anthropic que concorre com o ChatGPT, alcançou o topo da lista de apps gratuitos mais baixados na Apple Store.

O acordo que gerou o ruído

Ainda no final de fevereiro, a Anthropic recusou uma oferta de colaboração com o governo norte-americano. A ideia era usar a base do Claude para ações de inteligência aplicadas pelo Departamento de Guerra, antigo Departamento de Defesa dos EUA.

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Procurada após isso, a OpenAI não titubeou. Aceitou o convite do governo de Donald Trump e já começou os trâmites para implantação de sistemas de IA em ambientes confidenciais ligados ao órgão federal que controla ações militares americanas.

Em comunicado oficial, a empresa detalhou o seu papel na nova iniciativa. “Ontem, chegamos a um acordo com o Pentágono para a implantação de sistemas avançados de IA em ambientes confidenciais, e solicitamos que eles também disponibilizem esse acordo a todas as empresas de IA”, disse.

Movimentos comerciais desse tipo são vistos com receio por parte da população norte-americana, devido a rumores de que o governo usaria plataformas digitais para espionar cidadãos.

A concorrência agradece

Em face à queda instantânea de popularidade do ChatGPT, o número de downloads do Claude disparou. No mesmo período em que o chatbot da OpenAI perdeu 295% de clientes, o da Anthropic ganhou cerca de 90%.

Ainda conforme a análise da Sensor Tower, o movimento é claro: ao passo que as pessoas passaram a desconfiar da ligação entre ChatGPT e governo, começaram a confiar mais no Claude, que agora tem uma imagem de “plataforma independente” dos interesses governamentais.

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As palavras da OpenAI

A dona do ChatGPT, é claro, minimizou a mal-estar e disse ter total controle de sua plataforma, que, segundo eles, segue sendo segura para os usuários.

Também no seu comunicado à imprensa, a OpenAI informou que não permitiu o uso de tecnologia proprietária para “monitoramento doméstico e alimentação de sistemas de armas autônomas”.

Sam Altman, co-fundador e atual CEO da empresa, também se pronunciou. Além de endossar o comunicado oficial da OpenAI, o executivo disse, em sua conta no X (antigo Twitter), que o governo norte-americano demonstrou “profundo respeito” pelas políticas de privacidade do ChatGPT.

De qualquer forma, o estrago parece já estar feito. O anúncio de parceria com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos pegou tão mal que, do final de fevereiro pra cá, as avaliações negativas nas páginas de download do aplicativo do ChatGPT nos EUA chegaram a 77%.

Continua seguro usar o ChatGPT agora?

A crise vivida pelo ChatGPT nos EUA parece não ter ultrapassado a fronteira. Pelo menos não ainda. Aqui no Brasil, por exemplo, não há indícios de abandono do chatbot, seja na versão web ou mobile.

Em comparação, a avaliação do aplicativo do ChatGPT na Google Play e na Apple Store segue alta, atingindo 4,9/5,0 e 4,8/5,0 respectivamente.

A desconfiança sobre um possível mau uso da plataforma de IA parece estar mesmo relacionada ao contexto norte-americano, que também envolve, nesse momento, conflitos bélicos internacionais.

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