A União Europeia (UE) determinou que todos os celulares vendidos no bloco deverão ter baterias removíveis até 18 de fevereiro de 2027. A medida, aprovada como parte de um amplo pacote de regulação de baterias, obriga fabricantes como Apple, Samsung, Motorola e Xiaomi a redesenharem seus aparelhos para permitir que o próprio usuário faça a substituição da bateria sem ferramentas especializadas ou uso de calor. A decisão representa a maior mudança no design de smartphones em mais de uma década e pode impactar consumidores no mundo todo — incluindo os brasileiros.
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Por que a UE tomou essa decisão?
O principal objetivo da regulamentação é reduzir o lixo eletrônico. Atualmente, a maioria dos celulares possui baterias seladas, o que obriga o consumidor a descartar o aparelho inteiro quando a bateria perde desempenho — um problema ambiental crescente em escala global. Ao permitir que o usuário troque apenas a bateria, a expectativa é que os dispositivos durem mais, reduzindo o descarte prematuro de aparelhos ainda em bom estado de funcionamento.
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O que muda no design e nas regras
A regulamentação impõe uma série de obrigações concretas aos fabricantes. Veja os principais pontos:
- As baterias deverão ser removíveis com ferramentas básicas disponíveis no comércio
- Os fabricantes precisarão garantir baterias de reposição por 5 a 7 anos após o fim da produção do modelo
- Qualquer bateria compatível com as especificações técnicas do aparelho deverá ser aceita — sem restrições de marca
- As baterias precisarão ter etiquetagem com informações sobre componentes internos, percentual de material reciclado e um QR code de acesso rápido

Baterias removíveis: do passado ao futuro
Baterias removíveis eram comuns nos celulares até meados dos anos 2010. A mudança para baterias seladas foi impulsionada por avanços nas baterias de íon de lítio — que passaram a durar mais — e pela busca de designs mais finos, leves e resistentes à água. Casos emblemáticos foram o iPhone 6, da Apple, e o Galaxy S6, da Samsung, que adotaram tampas traseiras fixas e pavimentaram o caminho para o design atual.
Com o retorno das baterias substituíveis, os fabricantes enfrentarão novos desafios de engenharia:
| Aspecto | Design atual (selado) | Novo design (removível) |
|---|---|---|
| Espessura | Mais fino | Tende a ser mais espesso |
| Resistência à água | Alta (IP67/IP68) | Requer novas soluções de vedação |
| Troca de bateria | Necessita assistência técnica | Feita pelo próprio usuário |
| Durabilidade do aparelho | Limitada pela bateria | Potencialmente maior |
Impacto global e o Brasil
A regulamentação da UE, por ora, se aplica apenas ao mercado europeu. Porém, assim como aconteceu com a adoção do USB-C — que a Apple foi obrigada a incorporar ao iPhone após pressão europeia e acabou adotando globalmente —, há uma expectativa de que as mudanças nas baterias também se espalhem para outros mercados, incluindo o Brasil. Produzir versões diferentes de um mesmo smartphone para cada mercado é economicamente inviável para a maioria dos fabricantes, o que tende a globalizar as alterações de design.
A exceção prevista na lei
A regulação europeia prevê um caminho alternativo para os fabricantes que não queiram adotar baterias removíveis. Dispositivos que mantiverem 80% da capacidade da bateria após 1.000 ciclos de carga — equivalente a aproximadamente cinco anos de uso típico — poderão ser isentos da obrigatoriedade de substituição pelo usuário. Essa exceção busca equilibrar a inovação tecnológica com os objetivos ambientais da legislação, abrindo espaço para que empresas invistam em baterias mais duráveis como alternativa ao redesenho dos aparelhos.












