Reprodução/Gemini

Netflix é processada em R$ 10 milhões por proibir partilha de senhas

Cristino Melo
5 min de leitura
netflix tv processada
Reprodução/Gemini

A Netflix foi processada pela Associação de Defesa dos Direitos dos Consumidores do Estado da Bahia (Aceba), que pede indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, após a plataforma proibir o compartilhamento de senhas e impor restrições ao uso simultâneo de telas. A ação civil pública, que tramita na Vara das Relações de Consumo de Salvador, acusa a empresa de adotar práticas abusivas que afetaram milhões de assinantes brasileiros desde 2023, quando implementou a política de “residência Netflix”.

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Restrições ao uso simultâneo

Segundo a Aceba, a plataforma recebeu diversos relatos de consumidores que não conseguem acessar a Netflix em várias telas dentro da mesma residência, situação que a empresa teria garantido que não ocorreria quando anunciou as mudanças. A associação classifica a proibição do compartilhamento de senhas como abuso de poder econômico, já que muitos usuários foram obrigados a pagar taxas extras para manter funcionalidades anteriormente incluídas sem custo adicional.

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Aumentos de preço e redução de benefícios

O processo também questiona os aumentos de preço considerados desproporcionais e sem justificativa compatível com melhorias no serviço. A Aceba aponta que, simultaneamente aos reajustes, a Netflix teria reduzido benefícios oferecidos aos assinantes. Para a entidade, essa combinação de aumento de preços com redução de vantagens configura prática contrária ao Código de Defesa do Consumidor.

Principais mudanças criticadas:

  • Diminuição do catálogo de títulos disponíveis
  • Fim do plano básico sem anúncios
  • Migração forçada para planos com publicidade ou mais caros
  • Restrições ao uso simultâneo de telas na mesma residência

Alterações contratuais unilaterais

A associação argumenta que a prática de alterar contratos unilateralmente restringe a liberdade de escolha do consumidor e fere princípios de transparência e previsibilidade contratual. Muitos assinantes foram transferidos automaticamente para novas modalidades sem consentimento prévio, segundo o processo.

Problemas com plano de anúncios

A ação também menciona problemas relacionados ao plano com anúncios, que apresenta incompatibilidades com certos modelos de Smart TVs e aparelhos mais antigos. Conforme o processo, muitos consumidores só descobrem essas limitações após a contratação do serviço, situação que pode caracterizar falha de informação. O grande volume de reclamações registradas em plataformas de defesa do consumidor é citado como indicativo de que os problemas decorrem de políticas comerciais adotadas pela plataforma.

Histórico de conflitos com órgãos de defesa

Esta não é a primeira vez que a Netflix enfrenta ações de órgãos de defesa do consumidor no Brasil, mesmo enquanto a empresa expande seus investimentos no mercado brasileiro e fecha acordos de licenciamento de conteúdo:

ÓrgãoAnoMultaMotivo
Procon-SP2024R$ 12 milhõesMudanças nas regras de compartilhamento
Procon-MG2024R$ 11 milhõesPublicidade enganosa e falta de informação
Procon-PR2024Não divulgadoPráticas similares

Pedidos à Justiça

A Aceba afirma ter procurado a Netflix antes de ingressar com a ação judicial, mas a empresa não teria apresentado nenhuma resposta que possibilitasse uma negociação. Diante da ausência de diálogo, a associação decidiu recorrer à Justiça. A reportagem procurou a plataforma de streaming, que optou por não comentar o assunto.

No pedido final, a entidade baiana solicita que a Justiça determine medidas para impedir novas alterações unilaterais nos contratos de assinatura, além de reconhecer que a Netflix causou danos morais coletivos aos consumidores brasileiros. A ação busca garantir que futuros reajustes de preços e mudanças contratuais sejam comunicados com transparência e respeitem os direitos dos assinantes.

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