
A China surpreendeu o mercado financeiro nesta segunda-feira (2) ao anunciar que o imposto sobre serviços de telecom terá um aumento significativo, reclassificando o tráfego de dados e banda larga como serviços básicos para alinhar a tributação à natureza de utilidade pública do setor, o que provocou uma queda imediata nas ações das três maiores operadoras do país na bolsa de Hong Kong devido ao receio de forte retração na receita e nos lucros líquidos.
O Ministério das Finanças e a Administração Estatal de Tributação da China emitiram um comunicado detalhando que a alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para os principais serviços voltados ao consumidor final subirá de 6% para 9%. A medida, que entrará em vigor no dia 1º de janeiro de 2026, abrange atividades essenciais como o uso de internet banda larga fixa, serviços de dados móveis, além de comunicações via satélite e o envio de mensagens SMS e MMS.
Leia mais:
- TIM conclui a aquisição da V8.Tech por R$ 140 milhões
- Oi deve leiloar sua participação na V.tal após autorização judicial
- CADE impõe análise mais rígida na aquisição da Um Telecom pela V.tal
Detalhamento das novas alíquotas por serviço
Para facilitar a compreensão das mudanças que afetarão o ecossistema tecnológico chinês, a nova regulamentação separa os serviços que agora são considerados “básicos” daqueles que permanecem como “valor agregado”.
- Serviços de Telecomunicações Básicas (Alíquota de 9%): Inclui dados móveis, banda larga de rede fixa, serviços de satélite e mensagens SMS/MMS.
- Serviços de Valor Agregado – SVA (Alíquota de 6%): Mantêm a taxa atual os serviços de nuvem (cloud), infraestrutura de data centers e capacidade de linhas alugadas para empresas.
A reclassificação tributária visa, segundo autoridades locais, refletir de forma mais precisa a importância social da conectividade. Ao tratar a internet como um serviço de utilidade pública básica, o governo incentiva que as operadoras foquem menos em competições agressivas de marketing e mais na construção de infraestrutura e na eficiência operacional, garantindo a sustentabilidade da economia digital no longo prazo.
Quer acompanhar tudo em primeira mão sobre o mundo das telecomunicações? Siga o Minha Operadora no Canal no WhatsApp, Instagram, Facebook, X e YouTube e não perca nenhuma atualização, alerta, promoção ou polêmica do setor!
Reação imediata do mercado financeiro
Assim que as três operadoras estatais — China Mobile, China Telecom e China Unicom — confirmaram a mudança em comunicados sucessivos, os investidores iniciaram um movimento de venda em massa. Na Bolsa de Hong Kong, o impacto foi sentido de forma severa, com perdas que variaram entre as companhias conforme o peso de cada uma no mercado. Confira o desempenho das ações no fechamento do pregão desta segunda-feira:
| Operadora | Queda no Pregão | Observação de Mercado |
| China Unicom | -6,3% | A maior queda entre as gigantes, chegando a bater -10% intradia. |
| China Telecom | -5,0% | Desvalorização acentuada após abertura com queda de 6,32%. |
| China Mobile | -2,3% | Impacto menor, mas ainda representativo para a maior tele do mundo. |
O banco de investimentos UBS emitiu uma nota de análise técnica reduzindo a recomendação para as ações das três empresas, alertando que o impacto financeiro pode ser “grave”. Os analistas estimam que os serviços atingidos pela nova alíquota representam entre 45% e 60% de toda a receita de serviços das companhias. A previsão é que a mudança no imposto reduza a receita líquida de serviços em uma margem que varia entre 1,5% e 2% nos próximos anos.
Perspectivas de crescimento e repasse ao consumidor
Essa pressão tributária ocorre em um momento delicado para o setor de telecomunicações na China. O crescimento, que antes era impulsionado pela transformação digital corporativa, estagnou em 2025. Os relatórios financeiros dos três primeiros trimestres do ano passado já mostravam um avanço de receita inferior a 1%. A China Mobile, por exemplo, faturou 683,1 bilhões de yuans em 2025, um aumento marginal comparado aos 678 bilhões de yuans registrados em 2024.
Especialistas do setor acreditam que, por ser um imposto sobre valor agregado, o custo adicional de 3% será inevitavelmente repassado para as faturas dos consumidores. Dessa forma, o maior risco para as operadoras não reside apenas na carga tributária em si, mas na possível retração do consumo. Com planos de internet mais caros a partir de 2026, a demanda por dados pode esfriar, prejudicando ainda mais os resultados de empresas que já lutam contra a saturação do mercado.












