29/01/2026

CADE impõe análise mais rígida na aquisição da Um Telecom pela V.tal

Decisão do órgão antitruste brasileiro adiciona camadas de complexidade à operação entre empresas do setor de telecomunicações.

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Imagem: Shutterstock/Reprodução

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) optou por não seguir com o rito sumário na análise da aquisição da Um Telecom pela V.tal. A decisão, tomada pela Superintendência-Geral do órgão, afasta a possibilidade de um trâmite simplificado e sinaliza a necessidade de avaliação mais aprofundada da operação entre as duas companhias do setor de telecomunicações.

Segundo o CADE, a fusão apresenta indícios de sobreposição horizontal significativa, o que impede sua tramitação por via rápida. Dados técnicos indicam que, em determinados mercados, a participação combinada das empresas ultrapassa 50%. Em outros cenários, embora o percentual seja inferior, há variação relevante no índice de concentração (HHI), o que também levanta alertas.

O que está em jogo na operação

O negócio envolve a compra de 100% da Um Telecom por parte da V.tal, empresa que atua na área de infraestrutura neutra de fibra óptica. 

A Um Telecom, por sua vez, mantém presença consolidada no Nordeste e também controla a Atlantic Hub e a Atlantic Data Center. Esta última ainda não está em operação.

Para a V.tal, a aquisição é estratégica: amplia sua capilaridade regional, reforça sua base técnica e operacional e a posiciona com mais força no atendimento a ISPs, operadoras e clientes corporativos. 

A companhia considera que a incorporação da estrutura da Um Telecom representa um passo relevante para expandir sua competitividade nacional.

Impactos no setor e próximos passos

O movimento da V.tal ocorre em um momento de forte movimentação no setor, com grandes empresas buscando reforçar posições regionais e ampliar redes de conectividade.

A decisão do CADE, embora não interrompa o andamento da transação, impõe um novo ritmo à avaliação do negócio, que agora será analisado em profundidade.

A partir da negativa ao rito sumário, o processo passa a demandar mais etapas formais, com direito a manifestação de terceiros interessados, coleta de documentos adicionais e eventual imposição de condicionantes para a aprovação.

Empresas envolvidas na operação ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a decisão do órgão regulador.

Avaliação mais criteriosa

A conduta do CADE reflete uma postura mais cautelosa diante de operações com potencial de impacto competitivo. A autoridade antitruste busca garantir que a concentração de mercado não afete a livre concorrência nem prejudique a oferta de serviços no setor.

A análise agora segue em rito ordinário, sem prazo definido para conclusão. A depender do grau de complexidade identificado, o processo pode se estender por vários meses, com implicações relevantes para os planos das empresas envolvidas.

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