
Um pedido formal contra a IA Grok, atrelada ao X (Twitter), chegou ao governo federal nesta semana. A reclamação partiu do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que exige a suspensão imediata da inteligência artificial.
Segundo a organização, a ferramenta estaria sendo usada para distorcer imagens e criar representações de cunho sexual, muitas delas envolvendo adolescentes e até crianças.
A solicitação foi direcionada ao comitê que cuida dos direitos digitais de crianças e adolescentes, grupo que reúne ministérios, órgãos de proteção e representantes da comunicação oficial.
No centro da denúncia, o argumento de que a tecnologia vem sendo aplicada sem filtros mínimos de segurança. A consequência disso? Violações sérias aos direitos individuais e coletivos.
Casos concretos, efeitos reais
Entre os exemplos citados, um ganhou destaque. A jornalista Julie Yukari publicou uma foto comum: ela e seu gato, na cama. Horas depois, surgiram versões falsas dessa imagem.
Em algumas, ela aparecia de lingerie; em outras, completamente nua. Tudo teria sido gerado com comandos simples ao Grok.
Mesmo após boletim de ocorrência e sinalização de ajustes por parte da rede social, o problema persistiu. As imagens manipuladas seguiram circulando. Para o Idec, esse é um retrato claro de que as medidas anunciadas pela plataforma estão longe de ser suficientes.
Especialistas falam em crime digital
Alisson Possa, professor de direito digital ouvido pelo Correio Braziliense, vê nas ações da ferramenta uma afronta direta à privacidade e à dignidade da pessoa humana.
Ele explica que não importa se a imagem foi criada por IA ou por um humano: se há conotação sexual envolvendo menores ou ausência de consentimento, a infração é grave e passível de sanções.
O especialista defende que as respostas não se limitem à remoção de conteúdo. Para ele, preservar provas, notificar formalmente a empresa e, quando necessário, acionar a Justiça com urgência são passos indispensáveis.
Limitação tardia e críticas à postura da plataforma
A rede social X, após os escândalos, decidiu restringir o uso do Grok. A partir de agora, apenas assinantes pagos podem usar as funções de edição e geração de imagens.
Ainda assim, a medida não convenceu. Para entidades de defesa digital, o foco deveria ser a proteção do usuário com medidas concretas de mudança, não a restrição parcial do serviço, que já se mostrou problemático.
O Idec reforça que o Brasil já conta com arcabouço legal suficiente para enquadrar esse tipo de prática. Entre as leis citadas estão a LGPD, o Marco Civil da Internet, o Código de Defesa do Consumidor e o recém-aprovado ECA Digital. O instituto entende que a suspensão da ferramenta pode ser necessária como forma de prevenir novos danos e responsabilizar economicamente quem falhou.
* Com informações do Correio Braziliense





