Imagem: Midjourney/Reprodução

Reino Unido sugere modelo de uso compartilhado para a faixa de 6 GHz

Goodanderson Gomes
3 min de leitura
Imagem: Midjourney/Reprodução

A autoridade reguladora de comunicações do Reino Unido, Ofcom, abriu uma consulta pública para discutir o futuro da faixa superior de 6 GHz no país.

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A proposta, apresentada neste mês, prevê o compartilhamento do espectro entre redes móveis e Wi-Fi. O plano é considerado inovador, já que esses serviços costumam operar em faixas separadas para evitar interferências. Interessados poderão enviar suas contribuições até o dia 20 de março.

Um plano que divide opiniões

Na proposta, a Ofcom sugere dividir a faixa: uma parte ficaria com o Wi-Fi, outra com os serviços móveis. A agência afirma que a ideia é atender à crescente demanda por conectividade, tanto em ambientes residenciais quanto em grandes centros urbanos. 

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Para isso, pretende estabelecer regras técnicas para garantir que os dois serviços possam coexistir sem causar problemas um ao outro.

A proposta também mira o futuro. A Ofcom acredita que o modelo pode ajudar o Reino Unido a se preparar para tecnologias emergentes, como o 6G, que deve exigir espectros amplos e de alta capacidade.

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Mas nem todos veem a iniciativa com bons olhos. A GSMA, entidade que representa operadoras móveis globalmente, expressou preocupação. Em nota, a associação disse que o uso compartilhado pode dificultar o avanço das redes móveis nos próximos anos. 

A principal crítica recai sobre a falta de alinhamento com decisões internacionais, algo considerado essencial para a interoperabilidade de dispositivos e ganhos de escala.

O Wi-Fi entra primeiro

Segundo a proposta, dispositivos Wi-Fi de baixa potência poderiam começar a operar em parte da faixa até o final de 2026. Já o uso por redes móveis viria depois, em etapas. 

A prioridade, nesse caso, seria melhorar o sinal em regiões densamente povoadas, onde a infraestrutura atual já dá sinais de saturação.

Para a Ofcom, essa abordagem representa equilíbrio. Permitir que diferentes serviços compartilhem a faixa de 6 GHz seria, segundo o órgão, uma forma de otimizar recursos e acelerar a expansão digital.

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Ainda assim, há riscos no caminho. O próprio documento da consulta menciona possíveis entraves técnicos e questionamentos sobre a viabilidade a longo prazo.

Caminhos distintos

Enquanto o Reino Unido defende um modelo híbrido, outras regiões, como partes da Ásia e América Latina, sinalizam preferência por destinar toda a faixa de 6 GHz ao uso móvel. 

A justificativa, nesses casos, é garantir uma base sólida para a futura implantação do 6G, sem restrições técnicas impostas por compartilhamentos.

A decisão final da Ofcom pode, inclusive, influenciar outros países. Com o debate sobre espectro se intensificando globalmente, especialmente após os primeiros testes de 6G, o rumo adotado pelos britânicos tende a repercutir além das fronteiras locais.

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