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GSMA aponta que regras fragmentadas de cibersegurança pressionam operadoras e ampliam ameaças

Cristino Melo
6 min de leitura
cybersegurança móvel
Reprodução/ChatGPT

A GSMA, organização global que congrega operadoras e o ecossistema móvel, divulgou na última quarta-feira (26) um estudo alertando que a fragmentação das regulamentações de cibersegurança está aumentando custos e riscos para operadoras móveis em todo o mundo, desviando recursos de melhorias reais de segurança para atividades de conformidade.

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Investimentos bilionários em segurança

O relatório independente “O Impacto da Regulamentação de Cibersegurança nas Operadoras Móveis” revela que as empresas do setor gastam entre US$ 15 bilhões e US$ 19 bilhões anualmente em atividades centrais de segurança cibernética. A projeção indica que esse investimento deve mais que dobrar, alcançando entre US$ 40 bilhões e US$ 42 bilhões até 2030.

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Apesar dos investimentos significativos, as operadoras de redes móveis enfrentam um cenário desafiador. Regulações mal projetadas, desalinhadas ou excessivamente prescritivas resultam em custos desnecessários, impedindo que recursos sejam direcionados para a mitigação real de riscos. Em alguns casos, essas regras até aumentam a exposição a ameaças cibernéticas.

As redes móveis carregam o coração digital do mundo. À medida que as ameaças cibernéticas aumentam, os operadores investem pesado para manter as sociedades seguras, mas a regulamentação deve ajudar, não dificultar esses esforços“, afirmou Michaela Angonius, chefe de Política e Regulamentação da GSMA, destacando que frameworks funcionam melhor quando harmonizados e baseados em riscos.

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GSMA
Divulgação/GSMA

Desafios em escala global

Desenvolvido em parceria com a Frontier Economics, o estudo se baseia em análises econômicas e entrevistas com operadores representando África, Ásia-Pacífico, Europa, América Latina, Oriente Médio e América do Norte. A pesquisa destaca como a natureza em rápida mudança das ameaças cibernéticas está aumentando custos e complexidade para operadoras globais.

O relatório identifica desafios generalizados em diversos mercados, incluindo regulamentação fragmentada e inconsistente que força operadores a cumprir requisitos sobrepostos ou contraditórios de múltiplas agências, proliferação de obrigações de reporte exigindo que o mesmo incidente seja reportado várias vezes em formatos diferentes, e regras prescritivas que exigem ferramentas específicas em vez de focar em resultados de segurança reais.

Um operador relatou que até 80% do tempo de sua equipe de operações de cibersegurança é dedicado a auditorias e tarefas de conformidade, em vez de detecção de ameaças ou resposta a incidentes. Apesar dessas pressões, as operadoras enfatizaram que garantir redes móveis seguras e protegidas é uma prioridade para seus clientes e para a sociedade em um mundo digitalmente conectado.

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Seis princípios para regulação eficaz

Para enfrentar esses desafios, o relatório apresenta um plano para que governos e formuladores de políticas construam estruturas mais seguras e eficientes. O estudo elabora seis princípios fundamentais para a regulação de cibersegurança:

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  • Harmonização: Alinhar a política de cibersegurança com os padrões internacionais sempre que possível, para reduzir a fragmentação e inconsistência regulatória.
  • Consistência: Garantir que novas políticas e estruturas estejam alinhadas com as políticas existentes para evitar duplicação ou conflito.
  • Baseado em risco e resultado: Adotar abordagens baseadas em risco e resultados no design e implementação da regulamentação de cibersegurança, dando aos operadores flexibilidade para inovar.
  • Colaboração: Promover uma cultura regulatória colaborativa com a indústria, apoiada pelo compartilhamento seguro de inteligência sobre ameaças.
  • Segurança por design: Incentivar uma abordagem proativa e baseada em segurança desde o design para mitigar riscos cibernéticos.
  • Desenvolvimento de capacidades: Fortalecer a capacidade institucional das autoridades de cibersegurança para garantir uma abordagem governamental integral e a aplicação eficaz de políticas e regulamentações.

O estudo alerta que abordagens unilaterais e fragmentadas aumentam as vulnerabilidades e criam ineficiências para operadores globais. “A cibersegurança é uma responsabilidade compartilhada. Para proteger cidadãos e serviços sociais essenciais, reguladores e operadores devem trabalhar juntos, guiados por um conjunto comum de princípios”, reforçou Angonius.

Chamado por ação coordenada

A indústria móvel, apoiada pela GSMA, está pedindo que governos e reguladores minimizem os encargos desnecessários sobre as operadoras. A recomendação é que colaborem na construção de estruturas e mecanismos confiáveis que promovam a inovação, permitindo que as redes móveis permaneçam seguras, resilientes e capazes de suportar os serviços digitais dos quais as sociedades dependem.

A questão ganha relevância especial considerando que as operadoras de redes móveis formam a espinha dorsal das economias digitais em todo o mundo. Com a expansão dos serviços digitais e o aumento das ameaças cibernéticas, a necessidade de frameworks regulatórios eficientes e coordenados se torna cada vez mais urgente.

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