Geração Z é a que mais relata ter sofrido golpes digitais, diz relatório

Ana Cláudia
5 min de leitura

A Geração Z é que mais tem sido vítima dos golpes digitais. Ao menos é o que revela um relatório recente da Akamai, empresa de serviços de nuvem e que fala sobre segurança online.

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A companhia lançou um relatório sobre e-commerce e as práticas online dos consumidores brasileiros. Entre outras informações relevantes está a de que a geração Z é a que mais relata ter sido vítima de golpes digitais. 

Apenas 44,76% dos respondentes entre 18 e 24 anos, e 45,33% das pessoas entre 24 e 29 anos afirmam nunca ter sofrido um golpe. Essas são as únicas faixas de idade nas quais mais de metade das pessoas afirmam ter sido vítimas – na geração baby boomer (mais de 60), são 52,38%.

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Assim, entre os respondentes, o número de pessoas na geração Z sofrendo golpes é 17% maior que entre os baby boomers. 

A geração Z, em sua definição mais comum, consiste nas pessoas nascidas entre 1996 e 2012 – tendo, assim, entre 11 e 28 anos. Os números brasileiros refletem uma tendência mundial.

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Ano passado, uma pesquisa similar nos Estados Unidos, realizada pela Deloitte, apontou que membros da Geração Z sofriam 3 vezes mais golpes que os da geração baby boomer. 

Helder Ferrão, gerente de estratégia de indústrias da Akamai LATAM, afirma que esses dados do relatório parecem ser contraditórios, afinal a geração Z é a conhecida “nativa digital”. Ou seja, são pessoas que não conheceram o mundo sem internet. Mas ele alerta:

“As coisas acabaram sendo mais complexas do que isso: houve recentemente uma leva de notícias sobre empregadores reclamando dos mais jovens, de que chegam ao mercado sem saber conceitos básicos de informática, como o que são arquivos e pastas. Por sua experiência ser com celulares e tablets, mas não computadores. Houve, de fato, um déficit no ensino de informática, mas os jovens são mais rápidos em aprender – assim como adotam novas tecnologias, adotam novos hábitos.”

Um exemplo claro desse fenômeno é a maneira como os mais jovens adotam novas tecnologias. Entre os adultos de 18 a 24 anos, 75,52% afirmam utilizar o Pix para suas compras online. No entanto, essa taxa diminui gradualmente com a idade, chegando a apenas 47,62% entre os indivíduos com mais de 60 anos.

Esse entusiasmo por inovação pode, infelizmente, expor os jovens a fraudes. Segundo Helder, a diferença de confiança nas tecnologias entre gerações é um fator importante. As pessoas mais velhas, especialmente aquelas com mais de 60 anos, geralmente são mais cautelosas e menos propensas a usar aplicativos bancários devido à falta de confiança na tecnologia.

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Helder observa ainda que, enquanto há golpistas que visam os idosos, também existem especialistas que se concentram em jovens. Esses golpistas usam aplicativos de namoro, plataformas de investimento e serviços de busca de emprego para aplicar seus golpes. Eles costumam veicular anúncios em redes sociais populares entre os jovens, como Instagram e TikTok. Embora esses anúncios sejam eventualmente removidos, o dano já foi causado.

Hábitos e golpes

O golpe mais comum entre os brasileiros de todas as idades é a compra de produtos que não chegam, afetando um em cada quatro, com 30% de incidência tanto na geração Z quanto entre os baby boomers.

O segundo golpe mais frequente é a clonagem de cartões após compras online, atingindo 14% da população. Aqui, os jovens de 18 a 24 anos são menos afetados (9%) comparados aos maiores de 60 anos (17%).

A pesquisa da Akamai revelou que 74% dos brasileiros fazem compras online pelo menos uma vez por mês, e 6% compram diariamente. Apenas 2% nunca compraram pela internet.

Os millennials (30 a 39 anos) são os que mais compram online, com 84% fazendo isso mensalmente, em comparação com 74% entre os jovens de 18 a 24 anos, 80% entre 25 e 29 anos e 58% para maiores de 60 anos.

Além disso, a preferência por sites de compras varia por geração. Jovens (18 a 24 anos) preferem marketplaces internacionais para eletrônicos (33%) em relação aos nacionais (30%), enquanto pessoas com mais de 60 anos preferem sites nacionais (33%) aos internacionais (23%). A pesquisa destaca que, apesar das diferenças geracionais, todos estão sujeitos a cair em golpes.

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