A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira (4), em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, um funcionário da TIM suspeito de usar o acesso aos sistemas internos da operadora para transferir números de clientes a uma quadrilha de golpistas. Identificado como Wilian Aliano, ele seria o responsável, dentro do grupo, pela técnica conhecida como SIM swap. A irmã dele, Yasmin Aliano, também foi presa.
A prisão faz parte da Operação Chave Mestra, conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, estado de origem da quadrilha. Segundo os investigadores, os criminosos assumiam o controle das linhas para receber os códigos de verificação enviados por SMS e, assim, invadir contas ligadas aos celulares das vítimas e redefinir senhas. A apuração começou em dezembro do ano passado.
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120 LINHAS NA MIRA DO ESQUEMA
De acordo com a investigação, cerca de 120 linhas telefônicas foram comprometidas por Wilian. As informações obtidas no sistema da operadora eram repassadas a criminosos de outros estados, que usavam os números sequestrados para burlar mecanismos de autenticação e aplicar outros golpes. A polícia aponta ainda que o grupo vendia a terceiros o serviço ilegal de derrubada e transferência de linhas.

COMO O GOLPE FUNCIONAVA
O SIM swap consiste em transferir um número de telefone para outro chip. Na prática, quem passa a controlar a linha recebe as mensagens destinadas ao dono original, incluindo os códigos de segurança que muitos serviços digitais enviam por SMS para confirmar a identidade do usuário. Pelo que apontam as investigações, o esquema seguia esta sequência:
- Acesso ao sistema: o funcionário usava o login da operadora para derrubar a linha da vítima e transferir o número para outro chip;
- Controle do número: com a linha em mãos, os golpistas passavam a receber os códigos de autenticação enviados por SMS;
- Invasão de contas: os códigos permitiam entrar em serviços vinculados ao celular e redefinir senhas;
- Fraude: com as contas sob controle, o grupo partia para golpes, como tentativas de saque em sistemas bancários.
INVASÃO A BANCO GAÚCHO DEU ORIGEM AO CASO
O ponto de partida da investigação foi a descoberta, pelos policiais, da invasão à conta corporativa de um funcionário de um banco público de fomento do Rio Grande do Sul. Os criminosos tomaram o controle da linha telefônica e do e-mail profissional da vítima e, a partir desse acesso, chegaram a áreas mais privilegiadas do sistema da instituição financeira.
Responsável pelo caso, a delegada Isadora Galian explicou que o celular era peça central da invasão, por funcionar como verificação da conta. “A partir daí, conseguiu redefinir a senha do e-mail funcional dele. O segundo fator de autenticação era o telefone celular”, afirmou. Segundo ela, o grupo ainda tentou fazer saques depois de alcançar os acessos privilegiados, mas foi impedido.
OPERAÇÃO TEVE AÇÕES EM OUTROS ESTADOS
A Chave Mestra é coordenada pela Delegacia de Investigação de Crimes Especiais (DICESP), ligada ao departamento de crimes cibernéticos da Polícia Civil gaúcha. Ao todo, 28 ordens judiciais foram cumpridas no Rio de Janeiro, em Goiás, no Paraná e no Distrito Federal, e cinco pessoas haviam sido presas até a última atualização. No Rio, a ação teve apoio da DCOC-LD, delegacia de combate ao crime organizado.
Após a prisão, Wilian e Yasmin foram levados para a sede da Polícia Civil, no Centro do Rio. Segundo a polícia, os dois devem responder por invasão de dispositivo informático, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas previstas para esses crimes podem ultrapassar 20 anos de prisão, caso os irmãos sejam condenados ao fim do processo.
SUSPEITA ENVOLVE BANCO DE MANDADOS
Os investigadores também apuram se a quadrilha oferecia um serviço clandestino para esconder mandados de prisão no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). Segundo a polícia, os registros não eram apagados. O grupo alteraria critérios de pesquisa, como o nome da pessoa procurada, para que o mandado deixasse de aparecer nas consultas. Um novo inquérito foi aberto para apurar o funcionamento do esquema.
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O QUE DIZ A TIM
Em nota, a TIM afirmou que repudia qualquer prática ilícita e que adota padrões rigorosos de ética, integridade e segurança em suas operações. A operadora disse ainda que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. O caso expõe o risco de fraudes que partem de dentro das empresas de telecomunicações, já que o acesso legítimo aos sistemas foi o que permitiu a transferência das linhas.












