Reprodução/Gemini

Equador vira terceiro país da América Latina com direct-to-cell da Starlink

Cristino Melo
7 min de leitura

O Equador passou a contar com o serviço direct-to-cell (D2C) da Starlink, que conecta celulares comuns aos satélites de órbita baixa da SpaceX em locais sem sinal móvel terrestre. A oferta foi lançada pela estatal Corporação Nacional de Telecomunicações (CNT) na noite de 29 de setembro, em Quito, sob a marca SatPower. Com isso, o país se torna o terceiro da América Latina a contar com a tecnologia, depois de Chile e Peru.

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A novidade mira estradas rurais, montanhas, páramos, selvas e rotas marítimas onde não é economicamente viável instalar torres. Segundo o gerente-geral da CNT, Ronald Spina, a cobertura móvel da operadora alcança cerca de 90% da população, mas falha em boa parte do território, o que deixa motoristas e pescadores sem conexão em deslocamento. Nos vizinhos Chile e Peru, o D2C da Starlink é oferecido pela Entel.

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COMO FUNCIONA O SATPOWER

O serviço cobre o território continental do Equador, as ilhas Galápagos e a faixa marítima de até 12 milhas náuticas da costa. Os aparelhos passam automaticamente para a rede satelital ao sair da área de cobertura terrestre, desde que tenham visão desobstruída do céu. Não é preciso instalar a antena usada no plano residencial da Starlink, já que a conexão é feita pelo próprio celular.

Nesta primeira fase, o SatPower permite enviar SMS e usar dados em um grupo restrito de aplicativos, como WhatsApp (chat, chamadas e videochamadas), X, AccuWeather e o app de emergência ECU 911, incluindo seu botão violeta. O Google Maps também aparece entre os compatíveis, embora Spina tenha indicado que ele será incorporado depois. O serviço ainda não equivale a uma internet móvel convencional de alta velocidade.

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Starlink céu
Divulgação/Starlink

Spina afirmou que a operadora fez testes antes do lançamento, com envio de fotos, vídeos e mensagens a partir do mar. “A partir deste celular, nessas zonas remotas, onde hoje não há nenhum tipo de cobertura, podemos nos comunicar, enviar WhatsApp, um arquivo, uma foto, um vídeo”, explicou o executivo durante a apresentação. Segundo ele, a publicação de posts no X via satélite também foi testada.

A compatibilidade é ampla e abrange aparelhos 4G (LTE) e 5G. Segundo a CNT, isso soma cerca de 1.700 modelos de mais de 70 marcas, entre smartphones, tablets, rastreadores GPS, roteadores e modems. A conexão depende de o aparelho estar entre os compatíveis e de o cliente ter um plano com o SatPower ativo, sem necessidade de comprar equipamento extra.

QUANTO CUSTA O SERVIÇO

Na primeira fase, a CNT comercializa o SatPower em cinco pacotes móveis pós-pagos, apresentados pela estatal como planos 5G. Clientes que já têm plano pós-pago na operadora podem adicionar o serviço sem trocar de pacote, pagando uma taxa mensal extra. Os valores abaixo não incluem impostos e foram convertidos com base no câmbio de R$ 5,15 por dólar:

  • Planos com SatPower incluso: de US$ 15,99 (R$ 82,35) a US$ 25,99 (R$ 133,85)
  • Adicional para clientes pós-pagos atuais: US$ 3 por mês (R$ 15,45)

COBERTURA AINDA NÃO CHEGA A 100% DO PAÍS

A cobertura geográfica inicial anunciada é de 82% do território equatoriano. Segundo Spina, os 18% restantes ficam principalmente em zonas de fronteira e na Amazônia, onde ainda há dificuldade para levar o sinal satelital. O executivo espera chegar a 100% conforme a Starlink lance novos satélites e prevê, a partir de 2027, recursos adicionais e mais velocidade para os usuários.

A CNT afirma que não precisou fazer investimento inicial em infraestrutura, já que a rede de cerca de 12 mil satélites pertence à Starlink. Pelo modelo, a estatal paga pelo serviço à medida que a base de clientes cresce. “Não há um custo inicial de infraestrutura. O custo grande de infraestrutura já foi feito pela Starlink”, resumiu Spina, que definiu o acordo como um “ganha-ganha”.

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O lançamento amplia a relação entre a CNT e a Starlink. Em agosto de 2025, a estatal colocou em operação um community gateway da Starlink na ilha de Santa Cruz, em Galápagos. O equipamento recebe a conectividade satelital e a distribui pela rede da CNT para Santa Cruz, San Cristóbal, Isabela e Floreana, com velocidades de até 10 Gbps, sem necessidade de novos cabos submarinos.

Na América Latina, os acordos recentes da Starlink incluem Honduras, Peru, Bolívia e Argentina, além de parcerias anteriores com Paraguai, México e Equador. Até o momento, a empresa de Elon Musk é a única a comercializar banda larga via satélite de órbita baixa na região, mas a chinesa SpaceSail e a Amazon se preparam para disputar o mercado. Por ora, o D2C da Starlink na região se limita a Chile, Peru e Equador.

5G AVANÇA EM PARALELO

Segundo Spina, o SatPower não substitui o 5G da CNT, e as duas tecnologias vão se complementar. A rede é implantada desde o fim de 2025 com a Nokia como principal fornecedora e meta de 422 estações rádio base. A rede chega a Loja em 14 de outubro e, dias depois, a Riobamba, o que encerra a primeira etapa com mais de 16 cidades atendidas. Uma segunda fase está prevista para 2027 e inclui cidades como Esmeraldas.

O mercado equatoriano vive ainda uma nova onda de investimentos em telecom. Claro e Millicom planejam aplicar juntas US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 7,7 bilhões) em infraestrutura até 2030. Mesmo assim, os altos custos de implantação mantêm a adoção de banda larga nas áreas rurais em torno de 20%, contra mais de 70% nos centros urbanos, uma distância que o serviço via satélite tenta reduzir.

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