Imagem: Wikimedia Commons

Entenda como se deu o ataque hacker às geladeiras do Carrefour na França

Relatos descrevem refrigeradores indo a mais de 50ºC e milhões de prejuízos à rede de supermercados.

Goodanderson Gomes
3 min de leitura

Na madrugada da última segunda-feira (12), diversos supermercados na França, com destaque para várias unidades do Carrefour, tiveram seus refrigeradores invadidos em um ataque hacker inusitado.

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Geralmente, quando pensamos em uma investida de cibercriminosos o que vem a mente é a invasão de celulares ou computadores. Nesse caso, os hackers burlaram o sistema de controle de temperatura das geladeiras, levando várias delas a superaquecer.

De acordo com informações divulgadas pelo Carrefour e outras redes de supermercados, a maioria dos refrigeradores teve sua temperatura elevada a 50ºC, o que causou incêndios e perda de alimentos em centenas de lojas espalhadas pela terra do croissant.

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De onde veio e a motivação desse ataque

O ataque de grande escala foi viabilizado por uma falha de segurança em controladores digitais de refrigeração fabricados pela dinamarquesa Danfoss.

Esses sistemas são gerenciados por painéis conectados à internet, o que permite que equipes de manutenção façam ajustes de temperatura à distância.

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Os cibercriminosos, que ainda não tiveram identidade e localização geográfica confirmadas, exploraram vulnerabilidades em versões desatualizadas do software (firmware) dos aparelhos, o que liberou o acesso remoto para alterar os parâmetros e elevar as temperaturas por cerca de seis horas durante a noite.

A invasão não afetou apenas o Carrefour, que teve 80 lojas atingidas. Redes como Intermarché (com cerca de 150 unidades afetadas), Monoprix e Cooperativa U também sofreram com o problema, além de registros similares em supermercados na Holanda.

Incidente prévio acendeu o alerta nos EUA

A investida na Europa não parece ser um caso isolado. No final de agosto, cerca de uma dúzia de estabelecimentos que atendem militares dos Estados Unidos enfrentaram falhas parecidas nos sistemas de refrigeração, resultando em perda massiva de mantimentos.

Embora a motivação exata dos invasores ainda esteja sob investigação da Procuradoria de Paris, a Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação da França (ANSSI) já identificou a brecha utilizada no software da Danfoss.

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É possível evitar novas investidas?

Segundo autoridades que analisam o ocorrido, sim. Porém, depende do interesse das redes afetadas pelo ataque, me primeiro lugar.

A principal medida seria trocar os equipamentos utilizados por modelos desconectados, analógicos ou, em último plano, fazer a reposição por máquinas conectadas mais seguras. Há também a possibilidade de reforçar a segurança dos equipamentos que já estão em uso.

Fica claro, porém, que o problema está diretamente relacionado à marca de refrigeradores e/ou seus softwares de manutenção, uma vez que mais de uma rede de supermercados foi atacada. Isso leva a crer que dificilmente o ato criminoso foi especificamente direcionado a empresa A ou B.

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