A Sharp planeja desenvolver uma antena de satélite universal, capaz de se conectar a diferentes redes de comunicação orbital, como uma opção mais versátil que a Starlink. A proposta da fabricante japonesa é permitir que os usuários alternem entre serviços com facilidade, sem ficarem presos a terminais de um único provedor, como acontece hoje com os equipamentos da SpaceX.
Os primeiros terminais com a nova tecnologia devem ser lançados em 2030, inicialmente no Japão. A empresa mira aplicações que dependem de conexão em áreas remotas, como defesa, controle remoto de máquinas de construção e direção autônoma. Para chegar lá, a Sharp aproveita tecnologias criadas pela sua divisão de smartphones, reduzindo o tamanho e o peso do equipamento.
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UMA ANTENA PARA VÁRIAS REDES
Serviços de satélite como a Starlink costumam funcionar apenas com terminais específicos, desenvolvidos pela própria operadora. A empresa da SpaceX, que domina o mercado de comunicações com satélites em órbita baixa da Terra, fabrica internamente suas antenas e equipamentos, o que limita as opções do cliente que deseja trocar de fornecedor ou combinar diferentes redes.
Outro obstáculo das antenas parabólicas convencionais é o tamanho e o peso, que restringem os locais onde elas podem ser instaladas. A Sharp quer resolver esse problema com um terminal compacto, pequeno o bastante para ser montado em barcos ou drones, ampliando o uso da conexão via satélite em cenários em que uma estrutura maior e mais pesada seria inviável.

COMO FUNCIONA O APOIO DO GOVERNO
- Chamada de propostas: o Ministério de Assuntos Internos e Comunicações do Japão recebe projetos de antenas universais compactas e leves.
- Seleção: o órgão vai escolher dois ou três projetos para apoiar.
- Financiamento: os escolhidos vão dividir até 7 bilhões de ienes, cerca de US$ 44 milhões (aproximadamente R$ 238 milhões).
- Prazo: o apoio será concedido por um período máximo de cinco anos.
- Situação da Sharp: a empresa já enviou sua proposta, mas o processo de seleção ainda deve levar algum tempo.
PARCERIA COM A SES E O PROJETO IRIS2
A partir de 2027, a Sharp pretende levar ao mercado japonês os serviços de comunicação da SES, operadora de satélites sediada em Luxemburgo, como parte de uma parceria anunciada em junho. A companhia projeta alcançar 100 bilhões de ienes em vendas de serviços ligados a satélites até 2035, o que coloca o segmento entre suas principais apostas de crescimento.
A empresa também enxerga demanda fora do Japão. Com o aumento dos riscos geopolíticos, governos buscam reduzir a dependência de provedores específicos, como mostra a rede de satélites Iris2, da União Europeia. A SES é um dos membros centrais do consórcio responsável por desenvolver e operar o projeto, o que pode abrir portas para a fabricante japonesa no continente europeu.
Para Shigeru Kobayashi, executivo que comanda a divisão de negócios de comunicações da Sharp, a empresa tem vantagem por não ser americana nem chinesa. Sobre uma eventual participação no projeto europeu, ele adota cautela. “Nada foi decidido ainda, mas podemos contribuir”, afirmou o executivo ao comentar a possibilidade de a companhia colaborar com a Iris2.
CONEXÃO DIRETA AINDA É LIMITADA
| Operadora japonesa | Parceira de satélite | Situação |
|---|---|---|
| NTT Docomo | Starlink | Serviço lançado |
| KDDI | Starlink | Serviço lançado |
| SoftBank | Starlink | Serviço lançado |
| Rakuten Group | AST SpaceMobile | Em planejamento |
Na prática, as conexões diretas oferecidas por essas operadoras são usadas principalmente para enviar e receber mensagens. A Sharp quer ir além e desenvolver um terminal capaz de suportar aplicações que exigem maior volume de dados, como a condução autônoma de veículos e o controle remoto de equipamentos de construção, cenários em que uma simples troca de mensagens não é suficiente.
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OS NÚMEROS DA APOSTA DA SHARP
- 2027: chegada dos serviços da SES ao Japão pela Sharp
- 2030: lançamento dos terminais com antena universal
- Até 7 bilhões de ienes: financiamento do governo japonês para dois ou três projetos
- 100 bilhões de ienes até 2035: meta de vendas em serviços ligados a satélites
- US$ 223 bilhões até 2033 (cerca de R$ 1,2 trilhão): projeção da Global Information para o mercado global de comunicações via satélite, mais que o dobro do previsto para 2025
A aposta em satélites faz parte de uma reestruturação mais ampla da Sharp, que vem reduzindo as operações com telas de cristal líquido, antigo pilar da companhia. Terminais de satélite e servidores de inteligência artificial estão entre as cinco áreas apontadas como novos motores de crescimento, com meta de somar entre 200 bilhões e 300 bilhões de ienes em vendas no ano fiscal de 2030.












