Se você é leitor assíduo aqui do Minha Operadora, já deve ter notado que o assunto Starlink está sempre presente no nosso noticiário. E não é para menos: a internet via satélite virou uma sensação.
A empresa de Elon Musk, por exemplo, permite que, apenas com uma mera antena portátil, sem apoio de fio algum, o usuário se conecte a uma rede estável e veloz em literalmente qualquer lugar, desde algum recôncavo do semiárido nordestino até um rincão profundo da floresta amazônica.
Mas e se nós dissermos que esse está longe de ser o meio de transmissão de internet mais utilizado do mundo? Estima-se que, atualmente, 95% das conexões sejam sustentadas pelos bons e velhos cabos submarinos.
Será que essa conexão é segura mesmo? É satélite versus cabo, ou essa rivalidade não existe? Vamos tentar responder essas e outras perguntas a seguir.
Os cabos submarinos que conectam o mundo
Quando pensamos na internet global, a tendência é imaginar dados voando pelo ar. A realidade, no entanto, é bem mais física e, por que não dizer, molhada.
Hoje, mais de 600 sistemas de cabos submarinos cruzam o fundo dos oceanos. São cerca de 1,5 milhão de quilômetros de extensão somados, o bastante para dar 37 voltas na Terra.
E, por incrível que pareça, a maioria desses cabos não é mais espessa que uma mangueira de jardim.
A dinâmica de quem manda nessa infraestrutura também mudou. Se antes o setor era dominado por consórcios de operadoras tradicionais, hoje as Big Techs tomaram a frente:
- A Meta, por exemplo, investiu no 2Africa, cabo gigante de 45 mil km que circunda o continente africano;
- Já o Google, soma dezenas de rotas privadas no mundo todo, incluindo o Curie, que liga os EUA à América Latina.
Aqui no Brasil, a presença dessa malha é estratégica. O cabo EllaLink, por exemplo, conecta Fortaleza diretamente a Portugal, cortando a latência com a Europa pela metade ao evitar a rota tradicional que passava pelos Estados Unidos.
Satélites vs. cabos: é um ou outro mesmo?
A resposta curta é: não. Na prática, essa rivalidade simplesmente não existe.
Apesar do sucesso estrondoso da Starlink no mercado brasileiro e norte-americano, as duas tecnologias cumprem papéis opostos e complementares.
O cabo submarino é a espinha dorsal da internet mundial. Um único sistema moderno consegue transportar mais de 200 Terabits por segundo (Tbps), algo inviável para qualquer constelação no espaço.
Por outro lado, passar fibra exige investimentos bilionários e licenças complexas. É aí que o satélite brilha. Ele entra como a solução perfeita para cobrir os chamados “desertos digitais”, levando sinal para navios em alto-mar, aviões, zonas de desastre ou locais isolados onde a infraestrutura terrestre não chega.
Em resumo: o cabo carrega o tráfego pesado do planeta, enquanto o satélite garante que ninguém fique no escuro.
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O que é mais seguro, a conexão via cabo ou via satélite?
Do ponto de vista físico e operacional, nenhuma das duas opções é totalmente imune a falhas.
Nos cabos submarinos, o maior perigo não vem de hackers, mas de acidentes banais. Cerca de 80% das interrupções de sinal no mar são causadas por âncoras de navios mercantes e redes de pesca de arrasto, por exemplo.
Somam-se a isso os desastres naturais, como terremotos subaquáticos, e os gargalos geopolíticos em regiões como a que circunda o Mar Vermelho, no Oriente Médio.
Já a conexão via satélite escapa das profundezas do oceano, mas enfrenta seus próprios gargalos lá no alto, na atmosfera.
O sinal sofre interferência de tempestades severas, ataques de bloqueio de frequência (jamming) e a ameaça crescente do lixo espacial em órbita baixa.
Para resumir, a segurança da internet não depende de escolher entre cabo ou satélite, mas sim da redundância. Se uma rota física cai, o tráfego é redirecionado instantaneamente.












