
O volume de fake news criadas com inteligência artificial no Brasil quadruplicou em 2025, segundo o primeiro Panorama da Desinformação divulgado pela Agência Lupa nesta quinta-feira (5). A pesquisa identificou 159 conteúdos falsos manipulados por IA no ano passado, contra 39 em 2024, representando um salto de 308% e mudando o cenário da desinformação nas plataformas digitais brasileiras.
Em termos proporcionais, o impacto é ainda mais expressivo para as operadoras e plataformas de comunicação. Os conteúdos manipulados por IA saltaram de 4,65% para quase 26% do total de checagens realizadas pela Lupa, evidenciando uma transformação estrutural no ecossistema desinformativo que circula pelas redes de telecomunicações do país.
Leia mais:
- PF quebra senhas e extrai dados de celular mesmo com aparelho desligado
- O fim de uma era? TV por assinatura perde 1,6 milhão de clientes em 2025
- TIM lança oferta relâmpago no BBB 26 com 39 GB por R$ 49,99
Da fraude digital à arma política
A mudança mais significativa registrada pelo estudo está no tipo de desinformação. Em 2024, a maioria dos conteúdos com IA estava relacionada a fraudes e golpes digitais. Já em 2025, a política dominou as campanhas de desinformação com inteligência artificial, respondendo por 45% dos 159 casos identificados, ante 33% no ano anterior.
Evolução do uso de IA por tipo de conteúdo:
| Tipo de conteúdo | 2024 | 2025 |
|---|---|---|
| Golpes e fraudes digitais | 36% | 30% |
| Desinformação política | 33% | 45% |
| Outros temas | 31% | 25% |
Entre os exemplos documentados estão vídeos deepfake do presidente norte-americano Donald Trump criticando em português o presidente Lula e o STF, além de conteúdos sintéticos envolvendo influenciadores digitais.
Figuras públicas mais exploradas em fake news com IA:
- Jair Bolsonaro: 24 menções
- Luiz Inácio Lula da Silva: 21 menções
- Donald Trump: 16 menções
Formatos predominantes de manipulação
O formato predominante combina vídeo deepfake com texto de apoio, respondendo por cerca de 41% dos casos. Em segundo lugar aparecem imagens sintéticas acompanhadas de texto. Mais de três quartos dos conteúdos com IA exploraram a imagem ou voz de pessoas públicas conhecidas, demonstrando o potencial de dano dessas tecnologias.
Quer acompanhar tudo em primeira mão sobre o mundo das telecomunicações? Siga o Minha Operadora no Canal no WhatsApp, Instagram, Facebook, X e YouTube e não perca nenhuma atualização, alerta, promoção ou polêmica do setor!
WhatsApp perde hegemonia na disseminação
Para as operadoras de telecomunicações, o dado mais relevante é a redistribuição dos canais de disseminação. O WhatsApp, embora continue liderando, viu sua participação cair drasticamente de 90% em 2024 para 46% em 2025. Essa queda não significa redução de fake news no aplicativo, mas sim maior dispersão entre múltiplas plataformas.
Mudanças no ranking das plataformas:
- Entrada: Kwai aparece entre as principais plataformas de desinformação
- Saída: X (antigo Twitter) deixa o top 10
- Crescimento: TikTok e Kwai ganham relevância na disseminação de vídeos falsos
Metodologia e abrangência do estudo
O Panorama da Desinformação analisou 617 postagens identificadas como falsas em 2025, comparadas às 839 de 2024 — ano eleitoral que naturalmente apresenta maior volume. A Lupa aplica critérios rigorosos de viralização, verificando apenas conteúdos que atingem grau significativo de disseminação em pelo menos uma plataforma.
O estudo, que será publicado anualmente, representa a primeira série histórica sobre desinformação no Brasil. A metodologia seguiu a Taxonomia Lupa e padrões internacionais, incluindo frameworks do DISARM e do First Draft, em conformidade com a International Fact-Checking Network (IFCN).
Desafios para o setor de telecomunicações
Para o setor de telecomunicações, o crescimento exponencial da IA generativa na criação de fake news representa um desafio técnico e regulatório. A sofisticação dos deepfakes e a circulação cruzada entre plataformas demandam protocolos especiais de moderação e identificação de conteúdos sintéticos.
O relatório recomenda que empresas de tecnologia facilitem o reconhecimento de materiais sintéticos, rotulando de forma clara conteúdos gerados por IA. Também sugere ajustes em políticas de moderação para picos previsíveis ligados ao calendário político, especialmente com as eleições de 2026 no horizonte.












