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O fim de uma era? TV por assinatura perde 1,6 milhão de clientes em 2025

Cristino Melo
5 min de leitura
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O setor de TV por assinatura enfrentou em 2025 uma das suas piores crises, com a perda de 1,6 milhão de clientes ao longo do ano, segundo dados oficiais da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). O Brasil encerrou o período com apenas 7,6 milhões de pontos ativos, uma queda de 17,7% em relação a 2024, alcançando o menor patamar desde 2009, quando o setor contabilizava 7,5 milhões de acessos. A retração coincide diretamente com o avanço acelerado das plataformas de streaming no país.

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Quando comparado ao auge do setor em 2014, o cenário se torna ainda mais dramático. Naquela época, a TV por assinatura chegou a registrar 19,6 milhões de pontos ativos. Isso significa que, em pouco mais de uma década, o mercado encolheu 61,1%, perdendo mais de 12 milhões de clientes. A velocidade da queda se intensificou nos últimos anos, refletindo uma mudança estrutural no comportamento de consumo de entretenimento dos brasileiros.

Os números da Anatel incluem também 1,1 milhão de acessos que não têm obrigação de contratar canais fechados, já que não é possível confirmar se há pacotes ativos nesses aparelhos no momento do fechamento dos dados. Mesmo assim, a tendência de declínio é inequívoca e preocupa tanto operadoras quanto produtores de conteúdo que dependem desse canal de distribuição.

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Streaming domina a audiência brasileira

Enquanto a TV por assinatura derrete, as plataformas de vídeo online consolidam sua hegemonia. Dados da Kantar Ibope revelam que, em dezembro de 2025, os serviços de streaming alcançaram 37,2% da participação na audiência do país, o maior patamar da história. A TV aberta ainda lidera com 55,8% da audiência total, mas a televisão paga aparece com apenas 6,9% dos aparelhos sintonizados.

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Participação na audiência brasileira (dezembro/2025):

  • TV aberta: 55,8%
  • Plataformas de streaming: 37,2%
  • TV por assinatura: 6,9%

Plataformas digitais mais assistidas:

  • YouTube: 21,6%
  • Netflix: 5,6%
  • TikTok: 5,0%
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Esses números demonstram que o público brasileiro migrou definitivamente para modelos de consumo sob demanda, onde cada pessoa decide o que, quando e onde assistir, rompendo com o conceito tradicional de grade de programação e horário nobre.

Segundo o suplemento sobre tecnologia da Pnad Contínua divulgado pelo IBGE, 43,4% dos lares brasileiros com televisão já possuem streaming, totalizando 32,7 milhões de domicílios onde vivem 95,1 milhões de pessoas. Em contrapartida, apenas 18,3 milhões de residências mantêm TV por assinatura, representando 24,3% das casas com ao menos um aparelho de TV.

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Desinteresse supera questão de preço

A pesquisa do IBGE identificou uma mudança significativa nos motivos que levam os brasileiros a não contratar TV por assinatura. Em 2016, 56,1% dos entrevistados apontavam o preço alto como principal barreira. Em 2024, esse percentual caiu para 31%. Por outro lado, a falta de interesse pelo serviço saltou de 39,1% em 2016 para 58,4% em 2024.

Motivos para não ter TV por assinatura:

Motivo20162024
Falta de interesse39,1%58,4%
Preço alto56,1%31%

“Possivelmente um dos motivos dessa falta de interesse pode ser, por exemplo, o streaming, o acesso a vídeos, a filmes e séries por outros meios”, explica Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE. Os dados também revelam que 8,2% dos lares com streaming não possuem sequer televisão aberta ou fechada, fazendo uso exclusivo dos canais digitais.

Concentração de mercado

Apesar da crise, o mercado de TV por assinatura brasileiro permanece altamente concentrado. Apenas cinco operadoras controlam 95,7% de todas as operações:

OperadoraAcessosParticipação
Claro4.092.39153,7%
Sky2.116.03127,8%
Vivo733.2929,6%
Mileto320.8484,2%
Telemidia33.8650,4%

Essa concentração pode facilitar eventuais ajustes no setor, mas não resolve o problema estrutural de um modelo de negócio que enfrenta concorrência direta de plataformas mais flexíveis e personalizáveis.

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