Viasat se opõe ao pedido da Starlink para incluir mais satélites

Cleane Lima
3 min de leitura

A Starlink, empresa da SpaceX, solicitou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) permissão para operar mais 7,5 mil novos satélites no Brasil. Em contribuição à Consulta Pública da agência, a Viasat apresentou preocupações relacionadas ao pedido e se posiciona contra a inclusão de novos satélites pela companhia.

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Foto: Mark Garlick/Science Photo Library

A Viasat pede que a Anatel não aprove o pedido, argumentando que a agência não possui acesso a dados relevantes sobre os parâmetros técnicos dos novos satélites e o uso das frequências adicionais. Acontece que os equipamentos da Starlink poderiam operar em várias bandas de radiofrequência.

Para a Viasat, essa falta de conhecimento de certos dados pela Anatel impede uma avaliação precisa dos impactos técnicos e regulatórios dessa expansão, que pode compreender entre 7,5 mil a 29 mil novos satélites. A empresa ainda argumenta que essa possível adição pela Starlink excede os limites de densidade espectral de potência equivalente (EPFD) estabelecidos pelo Regulamento de Rádio da UIT (União Internacional de Telecomunicações).

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Além do bloqueio do ângulo de visão das outras operadoras com seus satélites, a Viasat afirma que os novos satélites podem interferir nos sistemas GEO (geoestacionários) e NGEO (não-geoestacionários), e comprometer a qualidade dos serviços prestados por essas redes.

A empresa de satélites explica que já houve uma piora no ângulo de visão de outras operadoras de constelação menores com a Primeira Geração (Gen1 com 4.408 satélites) da Starlink.

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“Para todas as outras operadoras de constelações menores, a capacidade de identificar um ângulo de visão disponível piorou drasticamente com a proposta da SpaceX de permitir tanto a Primeira Geração (Gen1 com 4.408 satélites) como a Segunda Geração (Gen2 para 29.988 satélites) no Brasil, se comparada com a situação atual em que há apenas a Geração 1 para três diferentes tamanhos de terminal de usuário (15, 30 e 60cm)”, argumentou a Viasat.

Atualmente, a Starlink tem permissão para operar 4.408 satélites, da primeira geração, no Brasil até março de 2027.

Concorrência

Além disso, ainda há a questão de mercado, que segundo a Viasat, a adição de novos satélites pela Starlink e o uso de frequências adicionais na Banda E podem distorcer a competição no mercado. Ou seja, pode dar uma vantagem desleal a Starlink em relação a outras empresas. Com isso, a Viasat pede que a Anatel não aprove o pedido da empresa de Elon Musk, e considere o impacto que essa expansão pode causar.

A consulta pública foi aberta pela Anatel exatamente para esse tema, com o intuito de avaliar o pedido da Starlink. A ideia era colher os comentários e preocupações de outras empresas sobre o assunto.

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