12/05/2024

Anatel investiga programa que acessa rede 4G e pode ter sido usado pela Abin

Descoberto pela Polícia Federal, o chamado LTESniffer tem capacidade de detectar o tráfego de dados entre as antenas de transmissão 4G.

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) está sendo alvo de uma investigação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em relação a um programa com suposta capacidade de coletar dados da rede de telefonia 4G, de acordo com a Folha de S. Paulo.

O chamado LTESniffer, descoberto pela Polícia Federal, foi citado na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou busca e apreensão contra o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin. O programa foi encontrado na agência, e o delegado do caso disse que é necessário um “devido aprofundamento” sobre o programa.

Após a decisão de Moraes, a Anatel decidiu apurar o caso e irá solicitar dados para a Abin sobre o uso da LTESniffer. As operadoras de telefonia móvel também foram notificadas sobre possíveis ataques às suas redes. A agência aguarda o retorno das teles, e questionou a Abin o motivo de ter o programa.

Para melhor entendimento, o LTESniffer, embora não possa acessar comunicações criptografadas, tem a capacidade de detectar o tráfego de dados entre as antenas de transmissão 4G. Dados como o IMSI, o número que identifica cada usuário da rede, podem ser obtidos pelo programa.

Embora funcione diferente do FirstMile, que é o principal elemento da investigação em andamento na PF e invade a rede de telefonia para acessar a geolocalização de celulares monitorados, o LTESniffer também manipula dados protegidos pelo sigilo, que exigem autorização judicial prévia para acesso.

No caso do FirstMile, a ferramenta, diz a PF, usa a “estrutura de telefonia no exterior (SS7) para simular chamadas em roaming, inclusive valendo-se de envios de SMS Spoofing, resultando na manipulação dos sinais da rede de telefonia“.

De modo geral, as investigações buscam esclarecer o uso desses programas pela Abin em possíveis casos de espionagem e produção de relatórios de inteligência sobre adversários políticos da família do ex-presidente Bolsonaro. Os investigadores alegam que a agência monitorou adversários políticos sem controle judicial ou do Ministério Público, por meio de ações clandestinas.

Além disso, as investigações da Anatel visa saber quais informações foram acessadas, em qual volume e de qual país partiram os ataques. A agência também está investigando se as operadoras souberam dos ataques às suas redes e não comunicaram nada às autoridades, embora tenham tomado medidas contra as invasões.

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