21/02/2024

Conselho aprova projeto de usina que pode derrubar a internet no Brasil

Empresas de telecomunicações dizem que há chances de impactos no hub de cabos de fibra óptica, que afetará toda a conectividade do país.

Nesta quarta-feira (08), o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema) aprovou por unanimidade o projeto usina de dessalinização do Ceará, a Dessal, na Praia do Futuro, em Fortaleza. Ao todo, foram 22 a favor e 4 abstenções. Idealizada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), o projeto tem despertado o interesse nacional após o conflito com o setor de telecomunicações.

Projeto da usina de dessalinização da praia do Futuro, em Fortaleza (CE) (Imagem: Divulgação/Cagece)

Isso porque, a usina vai ser instalada a 500 metros dos cabos submarinos de fibra óptica instalados na Praia do Futuro, e as empresas e telecomunicações afirmam que há chances de impactos no hub de cabos de fibra óptica, cujo funcionamento leva conectividade para a África, Europa, América do Norte, América Central e América do Sul. Ou seja, pode derrubar a internet do Brasil.

Desde setembro de 2022 que o assunto é discutido. Acontece que no mesmo ano, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) se posicionou contra a instalação da usina de dessalinização, o que travou o projeto. O interessante é que no texto anterior, a distância dos cabos submarinos para a usina eramde apenas 50 metros, após os questionamentos, foi ampliado para 500 metros.

Fortaleza é a segunda cidade no mundo em número de cabos submarinos e as empresas de telecom afirmam que a captação da água do mar próxima dos equipamentos pode causar algum prejuízo à conexão, já que eles trazem 99% dos dados de internet ao país, segundo dados do Ministério das Comunicações (MiniCom).

A usina será capaz de produzir água de 1 m³ por segundo. Será captada água do mar a uma distância de 2,5 mil metros da costa e 14 metros de profundidade. O projeto será executado em Parceria Público-Privada (PPP) com a empresa Águas de Fortaleza, em um investimento total estimado de R$ 3 bilhões ao longo dos próximos 30 anos.

Nesse processo, a usina utiliza de tecnologia de osmose reversa para obtenção de água potável, onde o sal é separado da água por meio da aplicação de uma pressão sobre o líquido. A água dessalinizada será, prioritariamente, para o consumo humano.

FonteO Povo

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