27/02/2024

EUA x China: países brigam para ser o primeiro a ter telefonia móvel via satélite

Estados Unidos e China estão na briga para ver qual dos dois países consegue estabelecer a telefonia móvel via satélite.

A rixa entre EUA – Estados Unidos, e China está presente na busca pela telefonia móvel via satélite. Desde o início da telefonia móvel, o desejo de construir um serviço acessível em qualquer parte do mundo tem sido perseguido. Nos dias atuais, empresas americanas e chinesas estão próximas de realizar esse objetivo por meio da tecnologia de satélite. Contudo, há um impasse: ambas as superpotências desejam dominar a tecnologia, e cada uma tem a capacidade de sabotar o plano da outra. Cada país pode impor regulamentações que proíbam o uso do serviço de satélite do outro dentro de suas próprias fronteiras.

satélite

A promessa de Elon Musk de “eliminar as áreas sem cobertura em todo o mundo” pode levar muito tempo para ser cumprida. Embora a SpaceX, empresa de foguetes e satélites de Musk, esteja expandindo seus serviços para clientes em todo o mundo, a empresa ainda não opera na China. 

Enquanto isso, a startup americana Lynk, sediada em Falls Church, Virgínia, obteve a primeira licença da FCC no ano passado para oferecer um serviço que conecta satélites comerciais diretamente a telefones celulares padrão, sem a necessidade de hardware ou software especializado.

Segundo o seu fundador, Charles Miller, a Lynk possui acordos comerciais em mais de 40 países e está realizando testes do seu serviço em outras localidades. Entretanto, quando questionado sobre a China, Miller afirma que a empresa não se inscreveu para testes no país, presumindo que a resposta seria negativa.

Já imaginou conexão de telefonia móvel no meio do oceano ou desertos?

Os novos serviços oferecidos pela Lynk utilizam redes de satélites que orbitam a Terra, possibilitando que telefones se conectem a esses satélites mesmo em regiões remotas, como desertos ou oceanos, onde não existem torres de celular ou estações-base próximas.

Apesar da existência de telefones por satélite especializados há décadas, empresas como a Apple têm oferecido recentemente serviços que incorporam a tecnologia de satélite aos smartphones convencionais.

Com a versão mais atual do iOS, usuários de iPhone agora podem enviar mensagens curtas de socorro mesmo em locais sem cobertura de rede celular.

A regulação é um ponto determinante nessa questão

A regulamentação da tecnologia varia de país para país e pode ser um desafio obter permissão para a transmissão de sinais de satélite em territórios estrangeiros, de acordo com Brady Wang, analista da Counterpoint Research. 

Enquanto os usuários de celular podem obter o serviço de roaming internacional depois de anos de negociações das empresas de telecomunicações, o serviço de satélite ainda está em seus estágios iniciais de negociação. 

A Apple lançou recentemente seu serviço nos EUA, Canadá e algumas partes da Europa, enquanto a Huawei, banida pelo governo dos EUA, lançou um serviço semelhante para uso exclusivo na China em caso de emergência. Larry Press, professor de sistemas de informação na California State University, Dominguez Hills, afirma que os serviços chineses provavelmente não serão permitidos nos EUA ou em países aliados próximos.

A empresa SpaceX, do empresário Elon Musk, disponibiliza seu serviço de internet via satélite, chamado Starlink, em partes dos Estados Unidos, Europa, Japão, Austrália e outras regiões. Um mapa online mostra os planos de expansão da cobertura global, exceto para a China e Rússia. A SpaceX fez parceria com a operadora T-Mobile para permitir que usuários comuns de smartphones acessem a rede de satélites da SpaceX para serviços básicos em áreas onde não há cobertura celular. Esse serviço estará disponível na maior parte dos EUA.

EUA x China

As empresas americanas e chinesas estão seguindo caminhos separados na construção dos sistemas de satélite para os novos serviços, o que pode levar a um mundo dividido em zonas pró-China e pró-EUA. Analistas do setor acreditam que os EUA têm uma vantagem significativa nessa competição, já que as principais empresas de tecnologia e startups dos EUA estão participando da corrida. A SpaceX, por exemplo, já lançou mais de quatro mil satélites.

A maioria dos satélites que se comunicam com dispositivos móveis no solo está em órbita baixa da Terra, o que oferece uma melhor transmissão e um custo menor para serem lançados.

 A Huawei, por sua vez, usa a rede de satélites Beidou, desenvolvida pela própria China, cujos satélites estão a mais de 160 mil km da Terra. Isso impede que os usuários da Huawei recebam mensagens de texto.

A China também tem seus próprios planos de banda larga satelital com financiamento estatal, que pretende implantar na China e em países em desenvolvimento que Pequim gostaria de fazer parte de sua esfera de influência. 

Em 2020, a China apresentou planos para lançar quase 13 mil satélites de internet de banda larga em órbita terrestre baixa, mas ainda não tem capacidade para lançar todos esses satélites. Recentemente, uma autoridade chinesa anunciou que uma empresa aeroespacial estatal planejava construir uma constelação de satélites que ficaria a apenas 144 a 290 km da Terra, com o primeiro lançamento marcado para setembro.

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